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15/04/2006 - 14h15

Berlusconi propõe à União fazer acordo parcial de Governo

Roma, 15 abr (EFE).- O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, propôs hoje à coalizão de centro-esquerda União, vencedora das eleições, "um acordo parcial e limitado no tempo" para alguns temas institucionais, econômicos e internacionais, e, caso contrário, fará uma "rigorosa batalha" na oposição.

Berlusconi, em carta ao "Corriere della Sera", insiste em que "à luz do voto popular, não há vencedores ou vencidos", e ontem disse que reconhecerá sua derrota quando houver a confirmação oficial do resultado e da inexistência de irregularidades na apuração, pois denunciara dias antes que teve "fraudes".

O líder da União, Romano Prodi, colocou como condição prévia que o primeiro-ministro admita "sem dúvidas" sua vitória nas eleições do domingo passado e segunda-feira.

O resultado das eleições mostrou um país dividido, pois ambas as coalizões ficaram muito empatadas, com "duas visões da Itália e de seu futuro", o que se traduz em "uma considerável dificuldade de governar o país de forma positiva e produtiva", segundo Berlusconi.

Considerando que "seria melhor" um Governo e uma maioria "sólidos", o primeiro-ministro afirma que, com a vitória da União - por um décimo no Congresso e duas cadeiras no Senado -, na realidade são "frágeis e incertos, tanto numérica como politicamente".

Por isso, seria necessário discutir "juntos sobre soluções novas, dadas as novas circunstâncias, para a gestão das instituições do país", afirma o ainda primeiro-ministro italiano.

"Um acordo parcial, limitado no tempo para fazer frente aos imediatos temas institucionais, econômicos e internacionais do país, não pude ser excluído por princípio", diz Berlusconi, em referência, por exemplo, à escolha no mês que vem do próximo presidente da República.

Se a proposta de Berlusconi não for amparada e "prevalecer uma linha extremista", o primeiro-ministro afirma que o "Forza Itália (seu partido) e seus aliados farão uma coerente e rigorosa batalha em defesa dos valores e interesses que lhe foram confiados por 50% dos italianos".

O secretário do Democráticos de Esquerda (o coração da União), Piero Fassino, disse hoje em entrevista ao "La Repubblica" que é possível realizar um debate sobre alguns temas e ver "se podem determinar soluções programáticas compartilhadas".

Mas, se isso fosse feito, seria "sem nenhuma confusão sobre quem governa, a centro-esquerda, e quem está na oposição, a centro-direita". Além disso, Berlsuconi deve reconhecer a vitória da União e que não houve "fraudes" nas eleições.

No dia seguinte das eleições, Berlusconi propôs um Governo de coalizão entre direita e esquerda, rejeitado por Prodi, que ontem disse que é necessário "unir a Itália", e é preciso fazê-lo "com o diálogo, confrontando todos que representam o país".

O acordo proposto pelo primeiro-ministro foi amparado com divisão entre seus aliados de Governo, reunidos na Casa das Liberdades, que já esta semana mantiveram distanciamento das denúncias de fraude.

Da direitista Aliança Nacional, o ministro das Comunicações italiano, Maurizio Gasparri, considerou que, embora seja "desejável um amplo acordo" para a sucessão de Ciampi, não acredita "hoje na possibilidade de amplos acordos, mesmo que limitados no tempo".

Por parte da federalista Liga Norte, o ministro da Justiça italiano, Roberto Castelli, foi mais duro ao considerar "desconcertante" a iniciativa de Berlusconi, e estimou que seu partido defende a linha de que quem ganha tem o direito de governar.

Além disso, criticou que Berlusconi não tenha consultado seus aliados, e com isso "destruirá" a Casa das Liberdades. Mas o porta-voz de Berlusconi, Paolo Bonaitu, afirmou que o primeiro-ministro havia entrado em contato com o líder da Liga Norte, Umberto Bossi.

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