UOL Notícias Notícias
 

20/04/2006 - 12h16

Haitinos vão ao segundo turno de legislativas em meio ao desânimo

David Fernández Porto Príncipe, 20 abr (EFE).- Os haitianos voltarão às urnas na sexta-feira, sem entusiasmo, para votar no segundo turno das eleições legislativas realizadas em 7 de fevereiro.

Na ocasião, os eleitores do Haiti também elegeram o ex-chefe do Estado René Préval como novo presidente, mas apenas dois entre os milhares de candidatos ao Congresso conseguiram votos suficientes para evitar o segundo turno.

Amanhã, serão disputadas 127 cadeiras no Parlamento, 30 no Senado e 97 na Câmara dos Deputados, para o mandato 2006-2011.

O poder legislativo no Haiti é exercido pela Câmara dos Deputados, que tem o poder de confirmar o chefe de Estado, o primeiro-ministro e os ministros do Governo através de votação depois da formação do novo Executivo. Segundo a Constituição haitiana vigente - aprovada em 29 de março de 1987 -, o Senado é encarregado, junto com a câmara baixa, de exercer as atribuições do Poder Legislativo.

A reunião dos dois braços do Legislativo em um plenário compõe a Assembléia Nacional, que tem entre suas atribuições constitucionais confirmar o presidente eleito, no caso René García Préval, do partido Esperança.

Como ocorreu dias antes das eleições de fevereiro, a autoridade eleitoral haitiana, o Conselho Eleitoral Provisório (CEP), tem enviado mensagens positivas e otimistas.

"Toda a maquinaria eleitoral está pronta para a realização das eleições do próximo 21 de abril", repetiu esta semana o secretário-geral do CEP, Rosemond Pradel.

A Missão Especial das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) também reiterou que está disposta a tudo para que a jornada eleitoral transcorra com tranqüilidade e segurança.

O comandante-em-chefe da missão, o general brasileiro José Carvalho Elito Siqueira, informou recentemente que "um total de 2.000 soldados serão mobilizados nos dez departamentos (estados) para garantir a ordem", e se mostrou otimista quanto ao sucesso das eleições.

Entre dezenas de pequenos partidos, apenas a plataforma Esperança, a Fusão de Social-democratas (Fusão), a Organização do Povo em Luta (OPL), a Aliança Democrática (Alyans) e a União Nacional Cristã para a Reconstrução do Haiti (Union) têm possibilidades reais de fazer parte das câmaras legislativas.

Antes das eleições presidenciais no Haiti notava-se um clima de entusiasmo e uma disputa política saudável, mas neste segundo turno legislativo o desânimo fica evidente.

Há poucas discussões sobre candidatos ou partidos entre os haitianos, foram muito poucos os atos de campanha, e aconteceram poucas manifestações importantes, o que indica que a participação será baixa.

Algumas das razões que poderiam explicar a falta de interesse é o fato do Haiti ser um país marcadamente presidencialista e centralizado, e o CEP mostrou pouca eficiência em várias ocasiões, como no reconhecimento da vitória de Préval, que foi precedido de tensão e atos de violência nas ruas de Porto Príncipe.

A campanha eleitoral aconteceu principalmente nas zonas rurais afastadas da capital, e teve pouca cobertura informativa, precisamente pelo caráter centralizado do Haiti.

Com estas eleições, será encerrado o ciclo provisório da política haitiana, iniciado com a queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide e sua saída do país, que esteve à beira de uma guerra civil.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,95
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h28

    -1,26
    74.443,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host