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20/04/2006 - 20h15

No Paraná, Hugo Chávez diz que aceita vender petróleo por US$ 50

Omar Lugo Curitiba, 20 abr.- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em visita ao Brasil, defendeu o socialismo, decretou o fim do poder dos EUA e chamou Jesus Cristo de "primeiro socialista", além de garantir que seu país poderá vender petróleo por US$ 50 o barril.

Chávez teve uma movimentada agenda, que incluiu um encontro com empresários da Venezuela e do Paraná. Também se reuniu com o Movimento dos Sem Terra (MST) e o Movimento Via Campesina.

Depois de argumentar que o principal fator na alta mundial dos preços do petróleo é o "belicismo" dos Estados Unidos, ele disse que o preço do barril, na atual conjuntura, pode chegar a US$ 100.

"Mas não é o que queremos. O barril a US$ 50 seria justo e suficiente para nós", disse, defendendo o equilíbrio no mercado entre oferta, demanda e preços.

A Venezuela é o quinto maior exportador mundial de petróleo.

Segundo os analistas, a contínua troca de provocações entre Chávez e o Governo americano é um dos fatores que encorajam a alta dos preços.

"Os preços não podem ficar congelados por décadas e décadas", disse Chávez, sustentando que o impacto da inflação dos últimos 30 anos acabou barateando o petróleo em termos reais.

"Podemos agüentar um preço justo, de US$ 50. Mas as pressões vão continuar, porque o modelo está no fim", disse. Ele voltou a avisar que o mundo deve se preparar para o que chamou de era "pós-petrolífera".

Chávez defendeu mais uma vez sua proposta de construir um gasoduto de US$ 20 bilhões de dólares para levar gás do seu país ao Brasil e ao Cone Sul. Ainda esta noite, ele deveria se encontrar com o presidente Lula "para uma revisão muito rápida" do projeto. Alguns analistas consideram o gasoduto faraônico e inviável.

"O império não quer o gasoduto, porque já contabilizou as gigantescas reservas de gás da Venezuela como se fossem suas. A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo e a maior de gás da América do Sul", rebateu.

Em discursos e entrevistas, ele acusou o capitalismo de estar destruindo o mundo. E defendeu o socialismo como uma filosofia de vida, exposta por Jesus Cristo, que chamou de "o primeiro socialista", traído por Judas, "o primeiro capitalista".

Chávez também afirmou que Simón Bolívar e os indígenas da América pré-colombiana eram socialistas. Em seguida, defendeu Cuba e a "resistência" contra os EUA no Iraque e no Afeganistão.

Na sua visita, Chávez aprovou acordos de cooperação entre a Venezuela e o Paraná. Segundo o governador Roberto Requião, os projetos já em andamento e em estudo representam investimentos privados de US$ 444 milhões em diversas áreas na Venezuela.

Também foram assinados acordos de cooperação e assistência em saúde pública, coleta de lixo, tecnologia e indústria.

Chávez classificou os acordos como primeiros passos para a construção da sua "Alternativa Bolivariana" de integração de maneira gradual entre regiões, estados e Governos.

"Este é o caminho contra a Alca (Área de Livre-Comércio das Américas, defendida pelos EUA). Nós temos que ganhar esse confronto.

Não podemos admitir que nossos povos se transformem em colônias", disse.

Em Curitiba, ele voltou a dizer que a Comunidade Andina de Nações "está morta" e disse que a Venezuela vai se desligar de todos os compromissos com o bloco para se dedicar ao Mercosul.

Sem acrescentar detalhes, Chávez disse que a mão "ossuda, cabeluda e fétida do império americano" está por trás do conflito entre Argentina e Uruguai pela possível instalação em território uruguaio de grandes fábricas de celulose.

Ele se ofereceu para negociar um acordo, se for preciso. Mas disse acreditar que os Governos dos dois países poderão superar as diferenças.

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