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20/04/2006 - 11h10

Rússia alerta Irã de que relatório da AIEA será decisivo

Bernardo Suárez Indart Moscou, 20 abr (EFE).- A Rússia alertou hoje o regime de Teerã de que sua postura em relação ao polêmico programa nuclear dependerá do conteúdo do relatório que será apresentado no fim do mês à ONU pelo diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei.

"Vamos definir nossa reação de acordo com o conteúdo do relatório", disse o vice-ministro de Exteriores russo, Serguei Kisliak. Nos últimos dias, o ministro russo foi o anfitrião das consultas multilaterais sobre a questão nuclear iraniana em Moscou.

Em declarações à agência de notícias russa "Itar-Tass", Kisliak lembrou que o Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), e ressaltou que "agora é muito importante a cooperação de Teerã com a AIEA".

A advertência de Kisliak coincidiu com a presença em Moscou de uma delegação iraniana liderada por Javad Vaidi, vice-presidente do Conselho Nacional de Segurança do Irã e chefe da missão negociadora com a troika européia formada por Reino Unido, França e Alemanha.

A delegação, composta também pelo vice-ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, chegou ontem a Moscou, quando o grupo se reuniu com os representantes europeus. Fontes diplomáticas britânicas garantiram que a iniciativa da conversa foi da Rússia.

Kisliak não revelou se houve algum avanço nessas consultas, e se limitou a destacar que "as partes expuseram suas posições e analisaram a situação em torno do programa nuclear iraniano".

Todas as consultas que acontecem desde terça-feira em Moscou foram marcadas pelo hermetismo e pela cautela.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que os participantes das reuniões foram "unânimes em indicar que o Irã deve dar passos urgentes e construtivos em resposta à resolução do Conselho de Governadores da AIEA".

"O Irã deve atender aos pedidos de interromper os trabalhos ligados ao enriquecimento de urânio", disse Lavrov.

O secretário de Estado adjunto dos EUA, Nicholas Burns, garantiu em Moscou que Washington não descartou uma solução diplomática para o problema, mas exigiu o aumento da pressão sobre o regime de Teerã.

"Por enquanto, não renunciamos a tentativas diplomáticas na solução do problema do dossiê nuclear iraniano. Consideramos que ainda é possível", disse, após a reunião dos representantes dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha.

Burns enfatizou que "é preciso fazer pressão sobre o Irã" para que renuncie ao enriquecimento de urânio. Para ele, os seis países preocupados a solucionar a crise devem "chegar a um acordo sobre a tática que adotarão no Conselho de Segurança da ONU".

Tanto a Rússia como a China, membros permanentes do Conselho de Segurança, se opuseram até agora à imposição de sanções contra o Irã e insistem em uma solução diplomática, embora reforcem a necessidade de que Teerã desista do enriquecimento de urânio.

Entre as medidas de pressão, Burns citou a suspensão da "cooperação com o Irã no âmbito nuclear" e afirmou que isto "se refere também a Bushehr", a usina atômica que a Rússia está construindo para o Irã às margens do Golfo Pérsico.

O diretor da Agência Atômica da Rússia, Serguei Kirienko, rejeitou hoje a recomendação de Burns. Ele apontou que a construção de Bushehr, avaliada em US$ 1 bilhão, não representa uma ameaça ao regime de não-proliferação.

"A postura da Rússia se baseia em dois princípios: primeiro, todo país tem direito ao acesso à energia atômica, e segundo, a comunidade internacional tem direito de pedir garantias de que isso não representa ameaça", disse Kirienko.

De acordo com o chefe da Agência Atômica da Rússia, "a dificuldade está em conjugar esses dois postulados".

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