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20/04/2006 - 14h54

Tigres abandonam as negociações de paz com o Governo do Sri Lanka

Champika Liyanarachi Colombo, 20 abr (EFE).- Os rebeldes do Sri Lanka anunciaram hoje que não participarão das negociações com o Governo, marcadas para a próxima semana, em Genebra, suspendendo mais uma vez o processo de paz na ilha.

A decisão dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE) era previsível. Nas últimas duas semanas, tinha ficado claro que os rebeldes não pretendiam retomar o diálogo, pelo menos por enquanto.

Os rebeldes argumentaram que, ao longo do mês, aumentou a violência contra os tâmeis no norte e no leste da ilha. Mas o Governo cingalês lembrou que os membros das forças de segurança foram maioria entre as vítimas.

Pelo menos 60 pessoas, incluindo 33 militares, morreram nas últimas duas semanas em diferentes incidentes.

"Houve muitos assassinatos" e "isso é muito preocupante", disse hoje à EFE Helen Olafsdottir, porta-voz dos mediadores no processo de paz. Ela acredita que a situação no Sri Lanka está "fora de controle".

Olafsdottir afirmou ainda que a recusa do LTTE "é uma péssima notícia para nós. Mas as coisas não vão melhorar se não houver um avanço nas negociações na Suíça".

Mesmo assim, o Governo cingalês mantém o otimismo, prevendo que as conversas de paz serão reatadas mais tarde.

"O LTTE disse que precisa de mais tempo, mas nada impede que as conversas possam acontecer depois", declarou à EFE Palitha Kohona, responsável pelo Secretariado de Paz, um órgão governamental dedicado a coordenar o processo.

A primeira reunião foi em fevereiro e gerou uma brusca redução na violência no Sri Lanka. A próxima rodada estava marcada para os dias 24 e 25. Desde 8 de abril, porém, a violência voltou a aumentar.

Hoje, o chefe político do LTTE, S.P.Thamilchelvam, anunciou ao enviado especial da Noruega para a paz no Sri Lanka, Jon Hanssen Bauer, sua decisão de abandonar a mesa de negociações. Bauer foi a Colombo para tentar salvar a segunda rodada de Genebra.

Os tigres tâmeis só voltarão à mesa de negociação "quando for restabelecida a normalidade", explicou.

Thamilchelvam disse a Bauer que, para o LTTE, o Governo do Sri Lanka não se mostra disposto a concretizar os compromissos adquiridos. O dirigente afirmou que só vai participar das conversas se houver um esforço genuíno para regularizar a situação no norte e leste da ilha, regiões controladas pelos rebeldes.

Ele lembrou que a violência contra os tâmeis continuou por parte de grupos paramilitares que apóiam as forças do Governo.

Desde fevereiro de 2002, está oficialmente em vigor um cessar-fogo no Sri Lanka. Na prática, a violência é agora quase diária nas regiões norte e leste da ilha, onde os tâmeis, maioria de população, reivindicam a autonomia.

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