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20/04/2006 - 21h09

Venezuela anuncia saída e mergulha Comunidade Andina na crise

Esther Rebollo Lima, 20 abr (EFE).- A Comunidade Andina passa por uma das piores crises de seus 37 anos de existência devido à possível saída da Venezuela, que preside atualmente o bloco regional, e à polarização provocada pelas políticas opostas dos países-membros em relação aos Estados Unidos. Apesar de as divergências entre os integrantes do organismo se sucederem há muito tempo, a negociação de tratados de livre-comércio por parte de Peru, Colômbia e Equador com os Estados Unidos agravou a crise.

A escalada atingiu tensão máxima na quarta-feira, quando Hugo Chávez, presidente da Venezuela e, de forma rotativa, da Comunidade Andina, anunicou que Caracas abandonaria a organização que seu país constitui ao lado de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, expressou uma posição em linha com a de Chávez e considerou a organização "morta", mas não anunciou a retirada de seu país.

As reações não demoraram. O secretário-geral da Comunidade Andina, Alan Wagner, reconheceu hoje que as palavras de Chávez "puseram um ponto de interrogação no cenário", e pediu "serenidade".

A crise coincidiu com uma visita de Wagner a Bruxelas para analisar o grau de integração andina perante a abertura de negociações com a União Européia (UE), e também para preparar a cúpula entre os países da América Latina e do bloco europeu, a ser realizada em maio em Viena.

O presidente do Peru, Alejandro Toledo, disse que as negociações para um acordo comercial seguirão adiante mesmo se a Venezuela se retirar, mas pediu a Chávez que reconsidere sua decisão.

Toledo manteve sua convicção que o Tratado de Livre-Comércio com a UE será assinado em 2008. Seu ministro das Relações Exteriores, Oscar Maúrtua, disse que a Comunidade Andina não pode ser extinta porque "é uma instituição indispensável, criada com esforço e vontade política".

Consciente de que o afastamento da Venezuela sacudirá a vida institucional do bloco, Maúrtua antecipou que o fato, se confirmado, afetará as relações com outras organizações, como o Mercosul, a UE e até mesmo a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, reagiu com cautela e pediu que a questão seja tratada com cuidado, e defendeu sua política de comércio exterior, justamente a que desagrada Venezuela e Bolívia.

Os outros três membros da Comunidade Andina abriram negociações comerciais com os Estados Unidas. No caso do Peru, o tratado de livre-comércio já está assinado, esperando a ratificação dos Congressos nacionais em Washingtone Lima.

A Colômbia já acabou as negociações, e o Equador espera fazê-lo no mês que vem.

O atual Governo da Venezuela sempre viu com maus olhos um acordo comercial com os Estados Unidos, pois considera que Washington apoiou o golpe de Estado de 2002 contra Chávez e que um tratado seria nocivo para os países andinos devido aos subsídios que o Executivo americano concede aos produtores do país.

Essa também é a opinião do candidato mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais no Peru, o nacionalista Ollanta Humala.

Humala lamentou hoje a retirada da Venezuela e defendeu a integração andina, mas classificou como respeitável e soberana a decisão de Chávez, e criticou o acordo de livre-comércio que o Peru firmou em Washington no dia 12 de abril.

Os antecedentes da Comunidade Andina datam de 26 de maio de 1969, quando Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru assinaram o Pacto Andino para estabelecer uma união aduaneira em dez anos.

Três anos depois, a Venezuela se integrou, mas em 1976 o Chile se retirou, em um fato que marca a primeira crise da história da organização.

O maior sucesso do bloco foi o aumento do comércio entre seus membros, mas as vendas ao exterior em seu conjunto não passam de 1% do comércio global.

Por isso, a Secretaria-Geral, com sede em Lima, estabelecera o objetivo de firmar um acordo comercial com os EUA, o que representaria, segundo Wagner, uma oportunidade para o desenvolvimento do comércio dos países-membros.

No entanto, as divergências entre os integrantes, pelo menos por enquanto, não permitem que o bloco faça conjuntamente o acordo com Washington.

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