UOL Notícias Notícias
 

21/04/2006 - 18h47

Novo candidato deve facilitar formação de Governo iraquiano

Bagdá, 21 abr (EFE).- A Aliança Unida Iraquiana (AUI, xiita) apresentou hoje a candidatura de Jawad Al-Malki para o cargo de primeiro-ministro do Iraque no lugar da de Ibrahim al-Jaafari, o que representa um passo importante para a formação de um Governo de união nacional.

O xeque Hamam Hamudi, membro da coalizão xiita, anunciou hoje a vitória de Al-Malki frente aos demais concorrentes. "Al-Malki obteve seis dos sete votos e venceu Nadim Al-Jaabari, candidato do Partido Islâmico da Virtude", disse.

O anúncio foi feito durante uma entrevista coletiva concedida após uma reunião da AUI com os sete principais grupos políticos da aliança.

O xeque Hamudi acrescentou que a aliança já formou uma comissão e que amanhã começará a fazer contatos com o restante dos grupos parlamentares para saber a posição a respeito do novo candidato.

Hamudi afirmou que Ibrahim al-Jaafari, primeiro-ministro em fim de mandato, foi valente ao afirmar que não concorreria à chefia do próximo Governo.

Apesar de Al-Malki ser o "número dois" do partido Dawa - liderado por Jaafari e a segunda maior força política dentro da AUI -, a nova candidatura vai facilitar a formação do primeiro Governo permanente do Iraque quatro meses após a realização das eleições gerais.

O maior grupo parlamentar sunita, a Frente do Consenso Iraquiano, (FCI) mostrou-se satisfeita com a escolha do novo candidato.

Ayad Al-Samarai, integrante do Partido Islâmico Iraquiano (PII), partido sunita que também faz parte da FCI, disse que a AUI tinha questionado a posição da formação sobre a candidatura Al-Malki, que não encontrou objeção.

A escolha de Al-Malki aconteceu na véspera de uma reunião importante do Parlamento na qual serão escolhidos o primeiro-ministro, o presidente da República, seus dois vice-presidentes e o presidente do Parlamento.

Grupos sunitas, curdos e xiitas laicos se opuseram taxativamente à candidatura de Jaafari à chefia do próximo Governo, o que se transformou no maior obstáculo para a superação da crise política.

O grupo acusa Jaafari de sectarismo e de ser incapaz de pôr fim à crise política que o país atravessa e à violência generalizada que explodiu em 22 de fevereiro, quando um atentado contra um mausoléu xiita em Samarra causou a morte de várias pessoas.

Por outro lado, nenhum partido se opôs reeleição do curdo Jalal Talabani para a Presidência da República.

No entanto, a AUI ainda tem reservas a respeito da escolha do líder do sunita Partido Islâmico Iraquiano, Tareq al-Hashemi, para a Presidência do Parlamento.

Algumas fontes asseguram que Tareq al-Hashemi já não insiste em sua candidatura para o cargo de presidente do Parlamento e que os grupos políticos estão de acordo com a escolha de Adnan al-Duleimi, líder da Frente do Consenso Nacional, também sunita.

Jawad Al-Malki, muçulmano xiita, nasceu em 1950 em Hilah, capital da província de Babel, uma das quatro do país de maioria xiita.

Licenciado em Literatura Árabe, em 1980 se viu forçado a abandonar o Iraque, dois anos antes da perseguição e da repressão do regime de Saddam aos militantes de Dawa, que assumiram a autoria de um atentado fracassado contra o ditador iraquiano em 1982 na aldeia de Duyail, 60 quilômetros ao norte de Bagdá.

Al-Malki retornou ao Iraque após a derrubada de Saddam, em abril de 2003, depois de peregrinar durante 23 anos por vários países árabes e europeus.

Durante o período do Governo da Assembléia Nacional Iraquiana, que dirigiu o país de maneira temporária após a derrubada do ex-ditador até janeiro de 2005, ocupou a Presidência da comissão parlamentar de Defesa e Segurança.

Atualmente, era o porta-voz oficial do primeiro-ministro em fim de mandato, Ibrahim al-Jaafari.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host