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28/04/2006 - 15h38

AIEA afirma que Irã continua desafiando comunidade internacional

Jordi Kuhs Viena, 28 abr (EFE).- A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou hoje que o Irã continua desafiando a comunidade internacional ao acelerar seu programa de enriquecimento de urânio, segundo reflete seu último relatório sobre o programa nuclear da República Islâmica.

Em vez de cumprir as exigências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e suspender o enriquecimento, as autoridades de Teerã decidiram acelerar o programa sem oferecer a cooperação e a transparência requeridas.

Essa é a conclusão a que chegaram os inspetores da AIEA, liderados pelo diretor-geral, o egípcio Mohamed ElBaradei, no relatório que marca o fim do prazo dado ao Irã pelo Conselho de Segurança da ONU para suspender suas atividades nucleares.

No documento de sete páginas, a que a EFE teve acesso, se confirma que o Irã conseguiu enriquecer urânio até um grau de pureza de 3,6%, como o próprio presidente do país, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, anunciou em 13 de abril.

Além disso, os analistas da ONU informam que o Irã usou até agora apenas uma cascata de 164 centrífugas, em que injetou urânio em forma de gás (UF6) para o enriquecimento.

A essa primeira cascata poderiam se somar em breve outras duas, que estão sendo construídas atualmente, segundo os analistas da agência nuclear da ONU.

Dependendo do grau de enriquecimento, o urânio serve para produzir combustível nuclear para geração de energia ou para a fabricação de bombas atômicas.

A AIEA também destaca que nesta quinta-feira recebeu uma carta em que Teerã propõe apresentar nas próximas três semanas um calendário para concretizar a futura cooperação com a agência nuclear da ONU.

No entanto, a oferta está condicionada a manter o "dossiê iraniano" dentro da AIEA, e com isso o Irã tenta evitar qualquer atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas nesse prazo.

Para que o Conselho de Segurança possa condenar o Irã sob o capítulo VII da Carta das Nações Unidas (que autoriza o uso da força), se deve determinar que o país é uma ameaça iminente à paz e à segurança internacional.

Um diplomata consultado pela EFE em Viena descartou hoje que no relatório da AIEA "haja alguma informação que indique que o Irã represente um perigo para a segurança e a paz internacional".

Outra fonte confirmou essa análise, ao sustentar que o relatório "não contém provas contra o Irã, mas demonstra que as investigações devem continuar".

A conversão de urânio na usina de Isfahan, no centro do país, continua em andamento e se espera que termine ao longo deste mês.

Desde setembro de 2005, mais de 110 toneladas de urânio em gás (UF6) foram produzidas sob a vigilância da AIEA.

Apesar do pedido do Conselho de Governadores da AIEA de reconsiderar a construção de uma usina de água pesada em Arak, a AIEA confirmou em uma visita ao local que os trabalhos de construção continuam.

O pedido foi feito porque uma usina de água pesada pode produzir plutônio, outro material que serve para a fabricação de bombas atômicas.

Mas não são somente as atividades de enriquecimento em si que preocupam a AIEA, mas também a falta de informação sobre alguns aspectos desse programa.

"Continua havendo pontos negros nos conhecimentos da agência sobre o conteúdo e o alcance do programa de centrífugas (para enriquecer urânio)", afirma o documento.

"Por isso e por outras lacunas, incluindo o papel do Exército no programa nuclear do Irã, a agência não conseguiu progredir em seus esforços de dar garantias sobre a ausência de atividades e materiais nucleares não declarados no Irã", acrescenta o documento.

"Depois de mais de três anos de esforços da agência para esclarecer todos os aspectos do programa nuclear iraniano, as lacunas existentes continuam sendo um fator de preocupação", conclui.

O relatório foi entregue hoje aos 35 países-membros do Conselho de Governadores da AIEA e simultaneamente ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O órgão máximo da ONU analisará o relatório de ElBaradei, e as fontes consultadas consideram que um pronunciamento do Conselho de Segurança poderia demorar várias semanas para ser feito devido à falta de consenso entre as cinco potências com direito a veto.

China e Rússia defendem uma linha mais moderada no conflito, devido em parte aos grandes interesses comerciais e nucleares que mantêm com a República Islâmica.

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