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29/04/2006 - 06h34

Integração sul-americana revela fraquezas antes de cúpula

Alejandro Méndez Buenos Aires, 29 abr (EFE).- A integração sul-americana mostra sinais de uma grave crise, marcada pelas disputas no Mercosul e pelo anúncio da Venezuela de que vai deixar a Comunidade Andina de Nações (CAN), às vésperas da reunião entre governantes da América Latina e da União Européia.

Empresários e analistas concordam que o Mercosul, hoje, atravessa o pior momento desde a sua criação, há 15 anos. O motivo é o conflito entre Argentina e Uruguai, provocado pela construção de duas fábricas de celulose de capital europeu em território uruguaio.

A decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de tirar seu país da CAN representaria um forte impacto para o bloco, acrescentando um fator de tensão política na região e na relação com os Estados Unidos.

O presidente cubano, Fidel Castro, deverá se reunir hoje, em Havana, com Chávez e o chefe de Estado da Bolívia, Evo Morales. Os três vão lançar o Tratado de Comércio dos Povos como alternativa à Área de Livre-Comércio das Américas (Alca) defendida pelos EUA e declarada "morta" pelo venezuelano.

Fontes oficiais argentinas disseram à EFE que a reunião de Havana será acompanhada atentamente por Brasil e Argentina. Os dois estão dispostos a evitar atritos entre o Mercosul e os EUA.

Chávez teria recebido o recado na reunião de quarta-feira com Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, em São Paulo.

Hugo Chávez foi ao encontro com Lula e Kirchner depois de declarar, em Caracas, que vai surgir um "novo Mercosul". A Venezuela começou o processo de entrada como membro pleno do bloco.

Lula tinha se reunido, em Brasília, com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. O colombiano informou que pediu a ajuda brasileira para convencer Chávez a não tirar a Venezuela da CAN.

As fontes diplomáticas argentinas admitiram que desde março não há diálogo "de alto nível" entre Argentina e Uruguai. Os dois países estão em litígio devido à construção de duas fábricas de celulose na cidade uruguaia de Fray Bentos.

A Argentina, que até julho exerce a Presidência do Mercosul, reivindica um estudo de impacto ambiental das obras. O Uruguai pediu, sem sucesso, uma reunião do bloco para discutir os bloqueios nas fronteiras por parte de habitantes argentinos.

Os porta-vozes argentinos reconheceram que o Uruguai conta com o apoio do Paraguai. Os dois países renovaram suas queixas diante das assimetrias com Brasil e Argentina, as duas maiores economias do Mercosul.

O vice-presidente da União Industrial Argentina, José Ignacio De Mendiguren, considerou hoje "positivo" que Kirchner e Lula Da Silva tenham reconhecido o impacto da crise no Mercosul.

O empresário criticou as "reuniões em separado" para discutir as reivindicações de Uruguai e Paraguai. E lamentou que os governantes dos dois países estejam "ameaçando" assinar acordos de livre-comércio com os EUA, "dando as costas ao Mercosul".

A Venezuela é responsável por 20% do comércio dentro da CAN, o que a situa no segundo posto, atrás da Colômbia (48%). Em 2005, o bloco, que tem ainda Bolívia, Equador e Peru, chegou a US$ 9 bilhões em intercâmbio.

O Produto Interno Bruto dos países da América do Sul equivale a apenas 10% da União Européia (UE), bloco que discute acordos de livre-comércio tanto om o Mercosul quanto com a CAN.

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