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30/04/2006 - 08h48

Chirac apóia continuidade de Villepin, apesar de ameaça judicial

Paris, 30 abr (EFE).- O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, está disposto a continuar no cargo e conta com o apoio do presidente Jacques Chirac, apesar dos pedidos de renúncia que se generalizam na oposição e da ameaça dos juízes que averiguam o escândalo Clearstream.

Em declarações publicadas na edição de hoje do jornal "Le Parisien", Chirac afirma que a hipótese de um abandono de Villepin "não tem fundamento" e que "o presidente quer agora que todo mundo se ponha a trabalhar", apesar da crise causada pelas revelações do general dos serviços secretos Philippe Rondot no caso Clearstream.

Como vários outras autoridades da maioria de direita, um ministro que permanece no anonimato reivindica uma mudança na liderança do Governo.

"A autoridade de Villepin já tinha sofrido muito com a crise do Contrato de Primeiro Emprego. Com o Clearstream, a suspeita perdurará haja o que houver. Se não acontecer nada em breve, o último ano do qüinqüênio (da legislatura) corre o risco de ser uma Via-Sacra para toda a maioria", afirma o ministro ao "Le Parisien".

Os juízes instrutores do caso de suposta corrupção em contratos de tráfico de armas misturado com intrigas políticas, Jean-Marie d'Huy e Henri Pons, querem ser discretos.

"Fontes concordantes" citadas pelo "Le Journal du Dimanche" indicam que nos próximos dias ou semanas serão realizados "atos importantes".

Espera-se a realização de uma busca em Matignon, residência do primeiro-ministro, ou um interrogatório para que se esclareça seu papel na montagem que tentou envolver personalidades políticas, entre elas o atual ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, com a cobrança de comissões ilegais de contratos de armas por meio da sociedade Clearstream.

Um comparecimento judicial do primeiro-ministro, como de qualquer outro membro do Governo, necessita de uma autorização prévia do Conselho de Ministros, que caso seja rejeitada poderia transformar-se num questionário por escrito redigido pelo presidente do Tribunal de Apelação.

De início, Villepin se mostrou disposto a colaborar com a Justiça, mas alertou que um eventual interrogatório ou uma busca em Matignon não têm por que obrigá-lo a renunciar a seu cargo, já que o premier diz não ter nada a esconder.

Caso D'Huy e Pons concluam que há elementos que incriminam o chefe do Governo, teriam que dar lugar ao Tribunal de Justiça da República, única instância apta a julgar casos relacionados com pessoas que contam com foro privilegiados por sua qualidade de ministros.

O caso assumiu uma nova dimensão com a publicação na sexta-feira de uma parte da declaração judicial de Rondot, que disse que em janeiro de 2004 Villepin - então ministro de Exteriores - o tinha encarregado, por ordem de Chirac, de averiguar a lista enviada a um juiz com nomes de personalidades - entre eles o de Sarkozy - acusadas da cobrança de comissões.

A lista se revelou uma montagem que se suspeita que tenha tido motivação política para prejudicar as personalidades incriminadas.

Villepin é questionado politicamente por, no mínimo, não ter prevenido Sarkozy sobre as acusações falsas que circulavam sobre ele.

O presidente da centro-liberal União para a Democracia Francesa (UDF), François Bayrou, considera que a situação de Villepin como primeiro-ministro "é inviável", mas não só por este escândalo, já o era "há vários meses".

Bayrou vai mais longe ao apontar a necessidade de Chirac adiantar as eleições presidenciais e legislativas, previstas para daqui a um ano.

"É a terceira crise gravíssima em menos de seis meses (...) imaginar que se possa continuar assim, é terrível", afirma.

O primeiro-secretário do Partido Socialista, François Hollande, cuja formação pedirá na terça-feira uma comissão de investigação parlamentar, também quer que Villepin compareça à Justiça para que se conheça "toda a verdade".

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