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06/05/2006 - 17h18

Partido governista de Cingapura quase consegue maioria unânime

Marta Checa Cingapura, 6 mai (EFE).- O governista Partido de Ação Popular (PAP) conseguiu uma vitória arrasadora nas eleições gerais de hoje em Cingapura, o que já se tornou tradicional nas quatro décadas de independência da cidade-Estado, conseguindo 82 das 84 cadeiras do Parlamento.

O resultado é o mesmo das últimas eleições gerais de 2001, apesar de que, desta vez, os partidos da fraca oposição cingapuriana conseguiram ter mais candidatos, que disputaram 47 vagas, um "recorde" não alcançado desde 1988.

O primeiro-ministro Lee Hsien Loong, filho do fundador da Cingapura moderna, Lee Kuan Yew, conseguiu se reeleger e se apresentar como líder da nova geração da cidade-Estado.

Durante a campanha eleitoral, Lee Hsien Loong pediu um forte apoio para dirigir o país, que desfruta de um dos melhores níveis de prosperidade da Ásia (atrás apenas do Japão). Além disso, pediu aos cidadãos que dêem "sinais adequados" aos investidores estrangeiros.

Após a divulgação dos resultados finais, o ministro da Saúde, Khaw Boon, disse que a população apoiou a gestão do Governo "para os próximos 15 anos", em alusão às palavras de Lee, que disse que essa eleição "decidia o futuro de Cingapura".

O primeiro-ministro e seu partido chegaram ao dia da votação com o suporte de excelentes resultados econômicos - Lee anunciou que a economia cresceu 10% no primeiro trimestre de 2006 - o que, tradicionalmente, fazem os cidadãos esquecerem das restrições políticas, sociais e de liberdades.

O responsável pelo êxito econômico de Cingapura e de sua transformação de uma pobre ex-colônia britânica em um tigre asiático é o pai do primeiro-ministro reeleito, Lee Kuan Yew, fundador do PAP, da Cingapura moderna e do modelo de democracia limitada.

Neste sábado, 1,2 milhão de cidadãos foram às urnas, um número maior do que nas eleições anteriores, porque nesta eleição a concorrência foi maior.

Nas 37 regiões onde não havia concorrência e o PAP já tinha garantido a vaga no Parlamento, os eleitores estavam dispensados de votar, de acordo com o peculiar sistema cingapuriano.

A maior presença da oposição foi a razão pela qual o PAP, apesar de ter conseguido as mesmas 82 vagas que em 2001, reduziu sua porcentagem de votos de 75% para 66,6%.

Uma das incógnitas destas eleições era se a oposição manteria seus dois pontos fortes: as circunscrições unipessoais de Hougang - cuja cadeira pertence a Low Thia Khiang, do Partido dos Trabalhadores (WP), desde 1991, e a de Potong Pasir, que desde 1984 está nas mãos de Chiam See Tong, do Partido Democrático de Cingapura (SDA).

Ambos revalidaram seu mandato, apesar de seus partidos não terem melhorado os resultados.

Os cingapurianos tinham a certeza de que esta eleição era diferente, já que 56% dos cidadãos com direito a voto foram às urnas, uma porcentagem muito superior aos 33% do pleito de 2001.

"A oposição se apresentou com mais credibilidade que nas eleições anteriores, apesar de seus limitados recursos", afirmou Mano Sabnani, editor chefe do periódico "Today", antes da divulgação do resultado final.

O próprio Lee Hsien Loong teve que enfrentar seis candidatos opositores em sua circunscrição. Os adversários obtiveram 33,87% dos votos.

Ao contrário dos 1,2 milhão de cidadãos que puderam votar, em 2001 apenas 675 mil pessoas puderam exercer seu direito de voto..

Os opositores denunciaram que o PAP, através do próprio primeiro-ministro Lee e de seu pai, que continua no poder como "ministro sênior", empregaram todo tipo de táticas para os derrubar.

Entre as táticas, estariam a prática de processar alguns de seus críticos por difamação, o que, em vários casos, acabou com a carreira política de muitos, após derrota nos tribunais.

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