UOL Notícias Notícias
 

06/05/2006 - 13h37

UE e Egito: há um choque de ignorâncias entre Europa e Islã

Cairo, 6 mai (EFE).- A comissária da União Européia para as Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, e o ministro egípcio de Exteriores, Ahmed Abul Gheith, disseram hoje em Alexandria que a ameaça atual é um "choque de ignorâncias" entre a Europa e os países muçulmanos, e não um choque de civilizações.

A comissária se expressou desta forma durante uma palestra realizada na Biblioteca de Alexandria, no norte do país, junto a Gheith.

"Perdemos muito tempo especulando sobre o choque de civilizações.

A verdadeira ameaça é um choque de ignorâncias", disse Ferrero-Waldner após lembrar que o objetivo de sua viagem ao Egito é "enviar uma mensagem nítida sobre o diálogo entre as culturas, o respeito e o entendimento.

A comissária se referia à polêmica causada pela publicação de caricaturas de Maomé em vários jornais europeus, que desatou uma inesperada onda de protestos e de violência em muitos países muçulmanos.

A comissária européia disse "lamentar a ofensa causada pela publicação das charges", mas quis deixar claro que o conflito se deve a um choque entre dois princípios inegociáveis: a liberdade de expressão e a religiosa.

O segundo "é um direito fundamental de indivíduos e comunidades, e supõe o respeito à integridade das convicções religiosas", enquanto a liberdade de expressão "é central aos valores e tradições européias, mas deve ser exercida com responsabilidade", afirmou.

Ferrero-Waldner lembrou que a UE elaborou um plano de dez pontos de diálogo entre a Europa e o Islã, que inclui um melhor uso da mídia para chegar até a opinião pública, promover reuniões conjuntas entre representantes da sociedade civil, políticos e estudiosos e estimular as viagens de jovens, além de garantir o respeito aos direitos humanos.

Abul Gheit também qualificou a polêmica sobre as charges do profeta Maomé de "uma questão de ignorância, e não de liberdade".

"Nós conhecemos a Europa mais que eles (os europeus) nos conhecem, como conseqüência dos esforços dos intelectuais árabes e muçulmanos, que têm estudado as culturas e sociedades européias durante os últimos 200 anos", afirmou o ministro egípcio, explicando a que se deve o "choque de ignorâncias". O chefe da diplomacia egípcia ressaltou que esta situação tem que mudar, acrescentando que as relações entre a UE e o mundo muçulmano atravessam um período crítico.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host