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08/05/2006 - 15h25

Bush nomeia general Hayden como novo diretor da CIA

Jorge A. Bañales Washington, 8 mai (EFE).- A nomeação do general Michael Hayden como novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), anunciada hoje pelo presidente americano, George W. Bush, gera a expectativa de uma dura batalha no Congresso, sobre se a espionagem do país deve ficar nas mãos de militares ou de civis.

"A CIA continuará sendo, como indica seu nome, a peça central da inteligência dos EUA", afirmou hoje o chefe da Direção Nacional de Inteligência, John Negroponte, órgão que coordena mais de 15 serviços de informação do país.

Negroponte disse que a CIA aumentará "o número de pessoal no terreno e será a provedora primordial de inteligência humana".

"Há uma tensão entre as necessidades do Pentágono e das autoridades civis no âmbito de espionagem, análise e inteligência", disse o acadêmico Helmut Sonnenfeldt, especialista em espionagem do Instituto Brookings, em Washington.

A nomeação de Hayden, segundo os analistas, vai criar uma queda-de-braço entre Negroponte, cujo cargo foi criado no ano passado em uma reorganização dos serviços de informação, e o chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld, que controla 80% do orçamento dos serviços de espionagem e análise dos EUA.

A referência de Negroponte hoje à "inteligência humana", no jargão das agências de espionagem, é uma referência aos agentes infiltrados no mundo todo, que obtêm informação por contatos diretos, em contraste com a informação obtida por espionagem eletrônica ou a partir de satélites.

A CIA foi muito criticada nos últimos anos, tanto por não ter detectado os planos dos terroristas que atacaram os EUA em 11 de setembro de 2001, como pela informação sobre as supostas armas biológicas, químicas e radioativas no Iraque antes da invasão americana em 2003.

Quando essas críticas levaram à demissão do então diretor da CIA, George Tenet, Bush nomeou há 19 meses o ex-agente e ex-legislador republicano, Porter Goss, para reformar a mais famosa das 16 agências de espionagem e inteligência dos EUA.

Na sexta-feira passada, após uma gestão marcada por disputas com funcionários de carreira na CIA, Goss anunciou sua demissão sem dar mais explicações.

Imediatamente, o nome de Hayden - "número dois" do escritório de Negroponte - surgiu como alternativa.

Na opinião de Sonnenfeldt, há exagero sobre as diferenças entre o Pentágono e os funcionários civis em relação à gestão dos órgãos de espionagem.

"É claro que o Pentágono tem pessoal destacado no mundo todo, há tropas na Ásia, na África, na Europa", acrescentou, mas "a preocupação primordial do Pentágono é o acesso imediato a qualquer informação sobre ameaças a essas forças, sem que essa informação tenha que passar por camadas e camadas de analistas e burocratas".

O enfoque dos funcionários civis, no entanto, tem outras prioridades, explicou o analista. Para ele, vários aspectos da luta contra o terrorismo envolvem a área policial interna.

"Por exemplo, diante de uma suspeita de ataque terrorista, a informação pode ir primeiro para a Polícia local, que chamará a Polícia Federal americana (FBI) ou, se necessário, a especialistas militares em explosivos ou compostos tóxicos", acrescentou Sonnenfeldt.

Durante seus seis anos à frente da Agência de Segurança Nacional (NSA), Hayden supervisionou a implementação do programa de espionagem interna, ordenado por Bush a partir de 2002, e que dispensa o trâmite de solicitação de autorização a um tribunal especial, estabelecido pela lei.

Além disso, Negroponte lembrou hoje que Hayden, como segundo à frente da Direção Nacional de Inteligência, desempenhou um papel muito importante na criação da unidade antiterrorista do FBI".

A princípio, pelo menos segundo Sonnenfeldt, "a noção de que Rumsfeld vai adquirir o controle da CIA por meio de Hayden é completamente errada".

A preocupação também foi ressaltada hoje pelo conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, que disse que existem "precedentes" de militares à frente da CIA, e afirmou que Hayden informará "ao presidente dos EUA, e não a Donald Rumsfeld".

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