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09/05/2006 - 18h17

Ministro do Interior da França depõe no caso Clearstream

Paris, 9 mai (EFE).- O reinício dos interrogatórios judiciais ligados ao "caso Clearstream" ameaça prejudicar ainda mais o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, que está com a corda no pescoço por seu suposto envolvimento nesta trama, aparentemente realizada contra o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.

Durante duas horas, e a pedido próprio, Sarkozy foi interrogado hoje pelos juízes Jean-Marie D'Huy e Henri Pons, que buscam desmascarar as pessoas que falsamente acusaram, em 2004, o ministro, outros políticos, empresários e agentes secretos de possuírem contas bancárias no exterior com dinheiro proveniente de corrupção.

Ao final do depoimento, Sarkozy se limitou a dizer à imprensa que acredita que os dois magistrados descobrirão a "verdade" sobre esta complexa manipulação da qual se sente "vítima".

O ministro do Interior da França, que fará um comício em Nimes (sul da França) como parte de sua campanha para a presidência do país, está determinado a descobrir toda a verdade, seja qual for o preço político a ser pago, disse o advogado Thierry Herzog.

Mesmo sem esperar o final da investigação e concordando com o depoimento de Sarkozy aos juízes, seu conselheiro político, François Fillon, deixou transparecer que Villepin era o beneficiário do esquema contra o ministro do Interior.

Fillon disse que "alguém" havia "utilizado meios ilegais para tentar desqualificar Sarkozy" na disputa presidencial de 2007.

"Alguém que, sem dúvida, não tinha muita ética e que duvidava de seu talento para poder enfrentar o Sarkozy de forma legal", acrescentou o conselheiro.

"Villepin deve apresentar provas irrefutáveis de que não está envolvido nesta trama, caso contrário, o presidente francês, Jacques Chirac, deve mudar de primeiro-ministro", declarou Fillon.

Para Villepin, todo este "tumulto" não tem "muita importância".

Esta foi a única declaração dada hoje pelo premier, que visivelmente mudou de estratégia após uma defesa muito combativa na semana passada.

Alheio às pressões, aos rachas dentro de sua própria maioria e à moção de censura que os socialistas ameaçam apresentar, Villepin mantém sua firmeza e sua agenda: Amanhã ele irá a Londres para jantar com seu colega britânico, Tony Blair.

Oficialmente, o Palácio do Eliseu não tem entre seus planos uma mudança de primeiro-ministro, apesar da imprensa divulgar amplamente os rumores de que Sarkozy ou outros políticos seriam possíveis substitutos de Villepin.

Esses rumores são pura "intoxicação" para o centrista Maurice Leroy, que está convencido de que Chirac terá Villepin "até o final" neste último ano de seu segundo mandato.

Entretanto, esta trama, também conhecida como "caso Clearstream", está longe do final.

Outras personalidades políticas serão interrogadas nos próximos dias por D'Huy e Pons, que, segundo o jornal "Le Monde", disseram que alguns documentos do processo desapareceram.

Os socialistas Dominique Strauss-Kahn e Laurent Fabius, o liberal Alain Madelin e o ex-ministro do Interior, Jean-Pierre Chevenement, serão interrogados pelos juízes.

Chevenement diz que os políticos são "vítimas colaterais" nesta história de manipulação, cujo principal objetivo era a conquista do poder no grupo europeu EADS.

Também não se descarta que o próprio Villepin seja citado, já que na semana passada reconheceu que em janeiro de 2004 tinha pedido uma investigação confidencial sobre a famosa lista de contas correntes falsificadas.

Essa mesma relação foi enviada, meses mais tarde, por um informante anônimo ao juiz que investigava as comissões ilegais pagas na venda de seis submarinos Thomson para Taiwan em 1991.

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