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10/05/2006 - 18h17

Governo de Morales nega influência da Venezuela sobre Bolívia

La Paz, 10 mai (EFE).- O Governo da Bolívia negou hoje que esteja sendo influenciado pela Venezuela, ao ser consultado sobre as críticas do Brasil pela suposta ingerência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na nacionalização dos hidrocarbonetos ditada pelo chefe de Estado boliviano, Evo Morales.

"Há vários países amigos com os quais trabalhamos em muitas questões, mas isso jamais se traduz em uma interferência, uma influência ou uma manipulação de decisões da Bolívia", disse o vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera, em entrevista coletiva, ao ser consultado sobre o assunto.

García Linera declarou que as decisões do Executivo de La Paz "são soberanas" e que a postura do Brasil, expressa nas últimas horas pelo ministro de Relações Exteriores Celso Amorim, são fruto do "momento eleitoral" brasileiro, em alusão à eleição presidencial de outubro.

O vice-presidente agradeceu "a colaboração e o apoio de outros Governos irmãos", mas negou que Chávez tenha tido qualquer relação com a nacionalização do setor de petróleo da Bolívia.

"Nosso decreto de nacionalização foi posto em linhas gerais há mais de oito meses" com uma equipe de trabalho na qual "não havia interferências venezuelanas, cubanas, espanholas e norte-americanas", disse.

Durante uma fala no Senado, Amorim disse na última terça que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, advertiu Chávez que sua ingerência regional prejudica a integração e o projeto de um gasoduto sul-americano.

Além disso, alguns senadores expuseram a tese de que Chávez tenta usar a empresa estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) para treinar técnicos bolivianos que passariam a operar as instalações de petróleo e gás da Petrobras.

"Não posso realizar um julgamento. Não sabemos qual era a intenção do presidente Chávez, mas o fato concreto é que quando certas ameaças estavam sendo transmitidas pela imprensa, isto aconteceu paralelamente a uma grande presença de funcionários da PVDSA", na Bolívia, disse Amorim.

Segundo o ministro, Chávez tem uma "inegável influência" sobre Morales, o que ficou evidente no episódio da nacionalização do gás do país andino.

"Não é segredo para ninguém que Chávez exerce influência sobre o presidente boliviano em um momento delicado", disse o chefe da diplomacia brasileira.

Já o Governo de Caracas expressou hoje sua "surpresa" pelas críticas brasileiras.

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