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10/05/2006 - 09h41

Ministro boliviano defende naturalização "após 500 anos de saque"

Madri, 10 mai (EFE).- O ministro de Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca, defendeu hoje a "decisão soberana" tomada pelo Governo da Bolívia de nacionalizar a produção de hidrocarbonetos "após 500 anos de saque dos recursos naturais".

"Cumprimos o prometido em nossa campanha eleitoral", disse o chanceler à imprensa antes de participar em Madri de uma reunião dos chanceleres latino-americanos com o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, na véspera da cúpula UE-América Latina em Viena.

Choquehuanca, que pediu respeito a "um país que é soberano e que sabe o que quer", negou que a nacionalização tenha sido decretada por influência do Governo da Venezuela, mas agradeceu a "ajuda técnica" prestada pelo país.

O chanceler disse que a Bolívia precisa de "assessores de todos os países", porque "é bom ter experiências" para rentabilizar o funcionamento do setor energético do país, de modo que repercuta em uma melhora da qualidade de vida dos cidadãos.

"Os bolivianos sabem aonde vamos e quem quer nos apoiar, sejam da Venezuela, da Espanha ou da Alemanha, sejam bem-vindos, se for para ajudar a Bolívia a voltar a recuperar seu equilíbrio", afirmou.

Como lembrou Choquehuanca, "antes as empresas pagavam 18% (dos recursos que exploravam) e se beneficiavam de 82%, e agora será o contrário". O Legislativo do país também passará a controlar os contratos com empresas estrangeiras. "Antes, as empresas funcionavam ilegalmente.

Agora terão que passar pelo Parlamento", acrescentou.

Choquehuanca ressaltou que a Bolívia não voltará atrás desta decisão e considerou que agora é o momento de "adequar os contratos das empresas" estrangeiras, petrolíferas e de gás que operam há anos no país.

O chanceler lembrou que "as empresas têm um prazo de 180 dias, que começou no dia 1º de maio", para renegociar seus contratos com o Estado boliviano e disse que o Governo de La Paz está disposto a abrir um processo de diálogo que seja bom para as partes.

O ministro também acredita que as medidas adotadas não levarão a sanções políticas, como o cancelamento da ajuda ou a redução dos contatos de alto nível, porque "não há razões para isso".

Choquehuanca considerou que não se deve esperar "repercussões negativas" para a economia do país e pediu um tempo para saber primeiro qual será a reação das empresas com interesses no mercado boliviano de hidrocarbonetos.

"Ainda não sabemos como as empresas reagirão. Vamos esperar", disse o chefe da diplomacia boliviana. Choquehuanca confia em que a cúpula que começa nesta quinta-feira na capital austríaca permitirá ao presidente Evo Morales explicar melhor a posição do país.

Morales deve se reunir em Viena com o chefe do Executivo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, mas Choquehuanca não quis dar detalhes sobre a reunião. A Espanha foi um dos países afetados pela decisão boliviana, junto a Brasil e Argentina.

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