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14/05/2006 - 13h46

Grupos rebeldes aderem a cessar-fogo em Mogadíscio

Mogadíscio, 14 mai (EFE).- A auto titulada Aliança Antiterrorista e as milícias leais aos tribunais islâmicos aderiram hoje ao cessar-fogo oficial decretado nas ruas de Mogadíscio, após oito dias de combates em que 150 pessoas morreram.

O anúncio foi feito pelo porta-voz do grupo Mudulod, pertencente a líderes tradicionais somalis, Hagi Da'ud Agey. "Após longos esforços, as partes aceitaram o cessar-fogo e aceitaram iniciar em breve as negociações", afirmou Agey.

No entanto, embora Agey tenha anunciado o cessar-fogo oficial, por enquanto as partes em confronto ainda não confirmaram o acordo.

No sábado, os tribunais islâmicos sugeriram uma trégua, que foi rejeitada pela Aliança Antiterrorista.

O esforço conjunto dos líderes tradicionais, de líderes moderados religiosos e de grupos da sociedade civil para que se chegasse ao ansiado cessar-fogo foi ignorado até hoje, o que transformou o episódio no mais violento desde 1992.

O porta-voz divulgou a notícia quando os jornalistas visitavam a área de Si-Si, onde os confrontos ocorreram. Mais de dez corpos que estavam nas ruas há três dias puderam ser finalmente recolhidos.

O número de mortos desde que os confrontos começaram chega a 150, e o de feridos, a mais de 350, a maioria mulheres e crianças que ficaram presas em suas casas ou que foram atingidas pelo fogo cruzado entre as facções.

Uma mãe de uma família de oito membros, Hawo Mohamoud Nour, de 46 anos, que ficou presa em sua casa em Si-Si, disse à EFE que não teve em nenhum momento "esperanças de sair com vida".

"Estava esperando que chegasse a minha hora. Ficamos sete dias a portas fechadas, sem comida e com um pouco de água".

A mãe relatou que alguns de seus vizinhos tentaram escapar e foram atingidos por balas perdidas.

A destruição das casas, o corte do fornecimento de energia e o cheiro dos corpos em putrefação nas ruas de Si-Si compõem uma imagem que pode marcar a vida de qualquer pessoa com um mínimo de escrúpulo.

A Somália vive imersa no caos desde janeiro de 1991, quando os chefes de clãs tribais derrubaram o ditador Mohammed Siad Barre e controlam desde então o dividido território somali com a ajuda de milícias armadas que impõem "a lei do mais forte".

Em fevereiro, a Aliança, que segundo algumas versões recebe apoio velado dos Estados Unidos, declarou guerra aos tribunais islâmicos após acusá-los de acolher e proteger membros da organização terrorista Al Qaeda na Somália.

As cortes islâmicas afirmam que impuseram a "sharia" em Mogadíscio a fim de restabelecer a ordem na capital somali, onde o livre arbítrio dos chamados "senhores da guerra" criou uma situação de violência insustentável durante os últimos 15 anos.

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