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17/05/2006 - 12h51

Chirac pede o fim das disputas internas no Governo francês

Paris, 17 mai (EFE).- O presidente da França, Jacques Chirac, chamou os membros do Governo de Dominique de Villepin à ordem durante o Conselho de Ministros hoje e pediu o fim das disputas internas provocadas pelo escândalo Clearstream.

Chirac pediu aos ministros que privilegiem o trabalho do Governo, segundo fontes que pediram o anonimato.

O pedido do presidente veio durante a crise provocada pelo escândalo envolvendo a trama organizada entre 2003 e 2004 para prejudicar políticos e empresários incluindo seus nomes em uma lista falsa de pagamentos ilícitos da companhia luxemburguesa Clearstrean.

Villepin e Chirac são suspeitos de envolvimento nesta fraude, que tem entre suas vítimas o atual ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, e sua colega da Defesa, Michèle Alliot-Marie.

Os analistas políticos dizem que o ambiente de "suspeitas" e "desconfiança" entre os membros do Governo põem em risco a sobrevivência da equipe atual até as eleições presidenciais e legislativas de 2007.

Villepin disse na terça-feira que "nada" o afastará da "tarefa" que lhe foi dada por Chirac. Sarkozy assegurou que não deixará o Executivo, negando os rumores, porque não quer aumentar a crise do caso Clearstream.

A imprensa francesa divulgou que os juízes responsáveis pela investigação receberam ontem os resultados da análise feita nas cartas enviadas por um informante anônimo entre abril e junho de 2004 com as listas falsas.

Os analistas encontraram material genético de seis pessoas nas cartas, dois homens e quatro mulheres.

Os juízes Jean-Marie d'Huy e Henri Pons, encarregados da investigação judicial aberta por "denúncia caluniosa", podem ordenar que sejam recolhidas amostras de pessoas próximas aos dois principais suspeitos de serem delatores: Jean-Louis Gergorin e Emad Lahoud, que até poucos dias atrás eram, respectivamente, vice-presidente e analista de sistemas do grupo EADS, líder europeu em defesa e aeronáutica.

Fontes próximas à investigação disseram que os juízes esperam os resultados de análises nos computadores de Gergorin e Lahoud.

Os magistrados também pediram uma análise nos computadores do general Philippe Rondot, ex-responsável pelos serviços secretos e operações especiais no Ministério da Defesa, a quem Villepin encomendou em janeiro de 2004 uma investigação confidencial sobre as listas da Clearstream que estariam em posse de Gergorin, amigo do atual primeiro-ministro e então ministro de Exteriores.

O juiz que recebeu as cartas anônimas, Renault Van Ruymbeke, reconheceu que se reuniu três vezes com Gergorin antes de receber as listas, informou o jornal "Le Figaro".

Ruymbeke qualificou como uma "decisão política" a suspensão de sua nomeação à presidência do Tribunal de Apelação de Paris pelo ministro da Justiça, Pascal Clément.

Um deputado da União por um Movimento Popular (UMP) apresentou hoje uma proposta de lei destinada a proibir que cartas ou documentos anônimos possam servir como prova judicial.

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