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19/05/2006 - 11h47

Violência no Afeganistão é diária, apesar do fim da guerra

Farhad Peikar Cabul, 19 mai (EFE).- Os últimos dois dias sangrentos com mais de cem mortos no Afeganistão voltaram a expor que, quase cinco anos após o fim da guerra e a queda do regime talibã, o país continua imerso na violência.

Desde o início do ano, mais de 600 pessoas morreram pela violência no Afeganistão, sobretudo no conflituoso sul, na fronteira com o Paquistão e reduto dos talibãs, mas também no leste, e, com maior freqüência, no oeste do país.

Das vítimas fatais, um alto número morreu em atentados suicidas, cada vez mais freqüentes. O Governo afegão culpa terroristas estrangeiros vindos de países como Iraque, Irã e, sobretudo, Paquistão.

Depois que o Afeganistão viveu um dos atos mais violentos desde o fim de 2001, com cem mortos na quarta e na quinta-feira em três confrontos em Kandahar e Helmand, o presidente Hamid Karzai acusou os serviços de inteligência paquistaneses de treinar militantes e enviá-los a seu território.

O Paquistão negou hoje essas acusações, que qualificou de "absurdas e sem fundamentos", e pediu ao Afeganistão que tome medidas contra a insurgência interna.

No entanto, o porta-voz do presidente afegão, Karim Rahimi, voltou a afirmar que não há "dúvidas de que os terroristas são financiados e equipados fora do Afeganistão". "Os inimigos não querem ver progressos na paz e na reconstrução", afirmou à Efe.

No entanto, Rahimi negou que haja "um ressurgimento das atividades dos talibãs nas províncias do sul", e afirmou que "a situação está sob controle da Polícia afegã e das forças armadas".

Ocorreram 21 atentados suicidas este ano no Afeganistão, mais que em todo o ano passado (17) e muito acima do número de ataques em 2004 (5).

Os alvos foram a Polícia, o Exército Nacional Afegão e os militares estrangeiros, vítimas da violência dos grupos talibãs, mobilizados na "terra de ninguém" que caracteriza grande parte da fronteira com o Paquistão.

Qaseem Akhgar, escritor afegão e analista político, assegurou hoje à Efe que "os terroristas sabem que os países, sobretudo os europeus, estão sob a influência de seus povos e, se mostrarem que a situação fracassou no sul, as nações que enviaram tropas ao local podem se assustar e voltar atrás em seus compromissos".

Há aproximadamente 30 mil soldados estrangeiros no Afeganistão, dos quais cerca de 20 mil pertencem a tropas americanas que participam da operação "Liberdade Duradoura" contra redutos talibãs e supostos membros da Al Qaeda e contra o tráfico de drogas, a atividade comercial mais lucrativa do país.

O resto das tropas pertence à Otan, que este ano está se expandindo para o sul, uma das áreas mais perigosas, para substituir os militares americanos, enquanto cresce a oposição popular em alguns dos países afetados.

Nove soldados canadenses morreram este ano em atos violentos, entre eles uma mulher, a primeira militar canadense morta em combate desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Embora com poucos votos de diferença, o Parlamento do Canadá decidiu esta semana que o contingente militar canadense, cerca de 2.200 soldados mobilizados na região de Kandahar, permanecerá no Afeganistão até 2008. Com isso, a missão foi estendida por um ano.

O porta-voz de Karzai afirmou que isto demonstra que "a comunidade internacional está com o povo do Afeganistão na luta contra o terrorismo", e assegurou que "a paz e a estabilidade do Afeganistão beneficiam a região e a comunidade internacional".

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