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25/05/2006 - 09h40

Tropas australianas chegam ao Timor Leste após 20 mortes

Mónica Garriga Sydney, 25 mai (EFE).- As primeiras tropas australianas chegaram a Dili, capital do Timor Leste, onde 20 pessoas morreram, provavelmente devido aos confrontos violentos entre ex-soldados rebeldes e o Exército que acontecem no centro há vários dias.

Segundo informou a rádio australiana "ABC" - que cita emissoras locais -, as vítimas teriam morrido em um tiroteio com armas pesadas ocorrido junto ao quartel da Polícia, no centro de Dili.

Ao mesmo tempo, ocorreu outro confronto nos arredores da missão católica Dom Bosco, para onde foram centenas de pessoas em busca de abrigo.

Enquanto a violência tomava o centro da cidade, o primeiro contingente de tropas australianas, de cerca de 50 soldados, chegava ao aeroporto internacional da capital em dois vôos da Força Aérea australiana.

O comandante dos ex-militares rebeldes, Alfredo Reinado, disse à "BBC" que a intervenção estrangeira é a única medida capaz de evitar uma guerra civil.

Reinado se tornou chefe dos 591 militares que foram expulsos das Forças Armadas timorenses este ano, devido à longa greve que fizeram por melhores condições de trabalho. Eles agora querem derrubar o Governo.

A facção de Reinado, composta principalmente por homens procedentes do oeste do país, na fronteira com a Indonésia, liderou as batalhas violentas contra a Polícia e o Exército timorense nas últimas semanas.

O próprio ministro de Assuntos Exteriores timorense, José Ramos Horta, disse à imprensa australiana que "a situação é crítica e frágil".

Em sua chegada a Dili, os comandos australianos armados, protegidos com coletes à prova de balas, capacetes e roupas camufladas, foram recebidos com aplausos.

A primeira tarefa das tropas estrangeiras será garantir a segurança do aeroporto e, se necessário, ajudar na evacuação de todos os australianos do Timor Leste.

"Esta é uma missão arriscada em uma situação perigosa. Não devemos descartar a possibilidade de haver baixas", disse o primeiro-ministro australiano, John Howard.

Junto com a missão australiana, chegou ao Timor o general Ken Gillespie, para discutir com as autoridades do país os detalhes da missão, que prevê um total de 1.300 soldados australianos e o uso de helicópteros e de aviões de transporte Hércules.

Com a chegada do primeiro grupo de soldados estrangeiros, o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, agradeceu "a rápida resposta dos Governos da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal", a quem Timor pediu ajuda urgente na quarta-feira.

"Seu apoio contribuirá para restaurar a confiança das pessoas e para a superação do pânico generalizado. Além disso, permitirá que o país volte à vida normal o mais breve possível", disse Alkatiri, através de um comunicado.

Assim como a Austrália, a Nova Zelândia tem que discutir com a administração timorense os detalhes de sua missão, informou escritório do primeiro-ministro. O país se comprometeu a enviar uma missão avançada de quatro pessoas para estudar sua possível contribuição.

Portugal enviará 40 agentes, enquanto a Malásia, após uma conversa telefônica entre Alkatiri e o primeiro-ministro malaio interino, Najib Tun Razak, já enviou um grupo de 50 homens, que devem chegar hoje a Dili.

O embaixador australiano das Nações Unidas, Robert Hill, espera que o Conselho de Segurança da ONU passe uma resolução de apoio ao envio de tropas ao Timor, onde a organização internacional mantém cerca de 400 funcionários.

A ONU enviou uma força internacional ao Timor Leste em 1999, com o objetivo de acabar com a violência iniciada pelas milícias pró-indonésias, apoiadas pelo Exército da Indonésia, depois que os independentistas ganharam o plebiscito realizado no dia 30 de agosto daquele ano.

O Timor Leste, após 24 anos de ocupação indonésia e três administrado pela ONU, tornou-se um Estado soberano em 2002. No entanto, nasceu como um dos países mais pobres do mundo e sem experiência democrática.

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