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27/05/2006 - 12h53

Sobreviventes denunciam que marines mataram 24 civis no Iraque

César Muñoz Acebes Washington, 27 mai (EFE).- Novos testemunhos de sobreviventes de um ataque perpetrado por tropas americanas na cidade iraquiana de Haditha denunciam que se tratou de um massacre, em que os soldados assassinaram 24 civis indiscriminadamente.

Safa Younis, de 12 anos, se salvou por ter se fingido de morta depois que os soldados mataram os oito membros de sua família, como relatou à associação de direitos humanos iraquiana Hammurabi.

Younis contou que os soldados entraram em sua casa e atiraram contra seu pai, que estava desarmado.

"Quando fomos à cozinha, vimos meu pai, que já estava morto, então nos sentamos e começaram a disparar contra nós", disse Younis na entrevista exibida hoje pela rede americana de televisão "CNN".

O mesmo aconteceu na casa de Iman Hassan, conforme a menina de 10 anos contou em outra entrevista publicada hoje pelo jornal britânico "The Times". Hassan disse que os soldados dos EUA mataram seus avós, seus pais, dois tios e um primo de 4 anos.

"Todos os que estavam na casa foram assassinados pelos americanos, exceto meu irmão Abdul Rahman e eu", disse a criança, que ficou em um canto da sala enquanto os militares abriam fogo contra o resto de sua família.

"A metralhadora me atingiu na perna. Por duas horas, não nos atrevemos a nos mexer. Minha família não morreu imediatamente, ouvimos eles agonizar", disse.

Fontes anônimas vazaram à imprensa dos EUA nos últimos dias que uma investigação do Pentágono sobre os fatos, ocorridos em 19 de novembro, concluirá que as denúncias têm fundamento.

É uma tentativa de preparar o público para um escândalo que pode ser mais grave que o causado pelas torturas na prisão de Abu Ghraib, onde não houve assassinatos, dizem os analistas.

O Departamento de Defesa adiantou nesta semana a alguns legisladores dos EUA as conclusões iniciais de sua investigação sobre o suposto massacre.

"Aparentemente é verdade. Não sabemos os detalhes", disse o senador republicano John McCain, ex-prisioneiro da Guerra do Vietnã que se destaca por sua postura contra a tortura e pelo respeito ao direito internacional.

"Os marines reagiram de forma excessiva", afirmou o senador John Warner, presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado. "Mataram civis inocentes a sangue frio", acrescentou.

O comandante dos marines, o general Michael Hagee, foi para o Iraque para reiterar às tropas a importância de respeitar a população civil. Enquanto isso, um grupo de marines aguarda, na base de Camp Pendleton (Califórnia), possíveis ações disciplinares ou acusações criminais contra eles.

A primeira versão do Pentágono dizia que o incidente em Haditha, uma cidade de maioria sunita a 200 quilômetros ao noroeste de Bagdá, havia sido causado por um ataque com bomba que matou o soldado Miguel Terrazas, de 20 anos, seguido por um tiroteio com insurgentes.

No entanto, a explicação parece ter sido uma tentativa dos militares de ocultar o crime.

De acordo com a informação passada à imprensa, as investigações preliminares do Departamento de Defesa mostraram que os soldados assassinaram os civis sem provocação anterior e de forma indiscriminada após a morte de Terrazas.

Na versão oficial, dos 24 civis que morreram havia três crianças, sete mulheres e cinco homens - sendo que estes últimos viajavam em um táxi, informou a rede "CNN".

Alguns foram assassinados ainda na cama, pois o massacre teria começado pouco depois das sete da manhã.

Um vídeo gravado por um estudante de jornalismo iraquiano após o ataque e exibido pela CNN mostra paredes esburacadas por tiros, roupas ensangüentadas e várias fileiras de corpos envolvidos em cobertores. Essas imagens podem se tornar provas em futuros julgamentos.

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