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08/06/2006 - 20h05

Bush diz que morte de Zarqawi pode mudar situação no Iraque

Cristina Ozaeta Washington, 8 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse hoje que a morte do líder da Al Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi, oferece a possibilidade de "mudança de rumo" no Iraque.

Em comunicado lido no "Jardim das Rosas" da Casa Branca, o presidente, que soube da notícia na madrugada de quarta para quinta-feira, pediu "paciência" aos americanos e previu um aumento da violência por causa da morte de Zarqawi.

Zarqawi e seis de seus colaboradores morreram em um ataque aéreo americano realizado nesta quarta-feira nas proximidades da cidade iraquiana de Baquba, cerca de 65 quilômetros a nordeste da capital.

Baquba é a capital da província de Diala, que, junto com as províncias de Al-Anbar e Salahedin, situadas a oeste e a noroeste de Bagdá, respectivamente, são os principais redutos da resistência árabe sunita contra o Governo liderado pelo primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki.

A morte do líder da Al Qaeda no Iraque acontece em um momento em que a maioria dos americanos considera que a Guerra do Iraque foi um erro. Uma pesquisa realizada recentemente pela Ipsos indica que 59% dos americanos acha que os EUA erraram ao promover a guerra, iniciada em março de 2003.

A enquete revela ainda que apenas 33% dos entrevistados aprovam o trabalho desenvolvido por Bush, nível mais baixo de seu mandato.

O líder americano considerou que al-Zarqawi "cavou seu próprio fim", e disse que sua morte é uma vitória "na guerra contra o terrorismo".

Bush ressaltou que a notícia é "um golpe duro" contra a Al Qaeda, e lembrou que al-Zarqawi "não poderá matar mais".

Após ter se declarado "orgulhoso" pelo "profissionalismo" das tropas americanas e iraquianas, afirmou que a "tenacidade e a determinação" dessas forças foram recompensadas com a morte de al-Zarqawi.

"A ideologia do terror perdeu um de seus líderes mais agressivos e visíveis", disse Bush, que lembrou que, apesar da morte de al-Zarqawi, "a violência sectária no Iraque continuará".

Bush também confirmou que a localização de al-Zarqawi foi obtida graças a informações dos serviços de inteligência iraquianos.

Após a notícia da morte do líder da Al Qaeda no Iraque, os democratas insistiram na necessidade de retirar as tropas americanas do país no final do ano.

"Nossas tropas já realizaram seu trabalho no Iraque", disse John Kerry, senador democrata por Massachusetts.

Em comunicado, Kerry indicou que, com o fim de Zarqawi e a consolidação do Governo iraquiano, "é hora de os iraquianos defenderem seu país, aglutinarem as diferentes facções, porem fim à violência e levarem seu país adiante".

"Nossas tropas desempenharam bem seu papel no Iraque. Agora é a hora de trabalhar com o Governo iraquiano para trazer de volta nossas tropas no final do ano", acrescentou.

O republicano John Boehner, por sua vez, disse que todos estão "mais seguros agora", uma vez que os militares "cortaram" a cabeça "dessa serpente (Zarqawi)".

O político qualificou a ação que culminou na morte de al-Zarqawi como um "êxito importante e tangível".

Bush se reunirá com membros de seu gabinete na residência presidencial de Camp David na próxima segunda-feira, e na terça-feira fará uma videoconferência com Maliki e membros de seu gabinete.

O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que as conversas serão focadas na busca da melhor maneira de as tropas americanas apoiarem os iraquianos em seus trabalhos de melhoria da segurança no país árabe.

Snow disse ainda que a videoconferência não será um "conselho de guerra", e aconselhou que os jornalistas não esperassem um anúncio relacionado à redução de tropas no Iraque.

O Escritório Federal de Inteligência (FBI) informou hoje que não há, atualmente, nenhuma ameaça "específica ou crível" da Al Qaeda nos Estados Unidos após a morte de seu líder no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi.

"Através de um procedimento padrão que acompanha uma grande operação antiterrorista, o FBI entrou em contato com seus 56 escritórios e representações legais no exterior para que trabalhem com as forças de segurança e revisem as investigações em andamento", acrescentou a nota do FBI.

O FBI também informou que seus laboratórios em Quantico, no estado da Virgínia, receberão hoje uma amostra do DNA do corpo do líder da Al Qaeda no Iraque.

Além disso, a agência de inteligência lembrou que trabalhou "estreitamente" com os serviços de espionagem e os militares americanos para identificar os restos de al-Zarqawi.

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