UOL Notícias Notícias
 

16/06/2006 - 10h53

Irã se diz preparado para se defender de ataque israelense

José Álvarez Díaz Xangai (China), 16 jun (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, declarou hoje que o Irã está preparado para se defender de um ataque israelense, enquanto o mundo espera uma resposta de Teerã à proposta ocidental para negociar sobre o programa nuclear do país.

"A República Islâmica do Irã desenvolveu a capacidade de se defender", respondeu Ahmadinejad a uma pergunta da Efe sobre a capacidade nuclear israelense e a possibilidade de um ataque às instalações nucleares iranianas, como aconteceu no Iraque na década de 80.

Ahmadinejad, que se mostrou relaxado e até mesmo brincou durante seu encontro com a imprensa, não respondeu se a possibilidade de um ataque israelense o preocupa.

No entanto, a preocupação atual de Israel com o programa iraniano para o enriquecimento de urânio pode ser comparada à que, em 1981, levou o país a bombardear o reator iraquiano de Osirak.

O presidente iraniano voltou a falar do Holocausto nazista, comparando-o com a situação do povo palestino em Israel. "Para nós, não há diferenças entre judeus, cristãos e muçulmanos. Todos eles devem ser respeitados, têm sua própria voz e dignidade", afirmou.

Ahmadinejad não falou sobre sua posição quanto ao pacote de medidas proposto pelo Conselho de Segurança da ONU e pela Alemanha com o objetivo de dar um fim à crise nuclear. A proposta foi apresentada a Teerã no dia 6 de junho pelo alto representante da Política Externa da UE, Javier Solana.

A comunidade internacional oferece ao Irã a tecnologia civil nuclear mais avançada, garantias de segurança e vantagens econômicas em troca da interrupção do enriquecimento de urânio.

Ahmadinejad disse na quinta-feira em Xangai ao presidente russo, Vladimir Putin, que o Irã daria uma resposta em breve. Para o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, o líder iraniano disse que seria estipulada uma data para as negociações e que a proposta era um "passo rumo à solução pacífica".

"Meus colegas estão analisando cuidadosamente o pacote de propostas oferecido pelos seis países à República Islâmica do Irã e a resposta virá no prazo devido", disse.

"Não queremos desenvolver armas nucleares", argumentou o presidente. Ahmadinejad lembrou simbolicamente que Hiroshima e Nagasaki, únicas cidades atacadas na história com bombas nucleares (pelos Estados Unidos, em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial), "estão apenas a algumas centenas de quilômetros".

Se o Irã rejeitar a proposta ocidental e decidir dar continuidade a seu programa de enriquecimento de urânio, o Conselho de Segurança da ONU pode impor sanções ao país, embora, até agora, China e Rússia tenham se oposto à medida. Os dois países têm poder de veto por serem membros permanentes do Conselho de Segurança.

Além disso, China e Rússia são membros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, em inglês), organismo que, na quinta-feira, se declarou contra a proliferação nuclear. Na opinião do presidente iraniano, Irã, China e Rússia têm "pontos de vista e posturas próximos, ou até mesmo idênticos".

Ahmadinejad pediu desculpas por não poder dar detalhes sobre sua reunião de hoje com o presidente chinês, Hu Jintao.

O presidente iraniano culpou o Ocidente pela crise nuclear. Ele acredita que a ameaça de sanções "não deveria ser usada para humilhar e impor sua visão a outros países do mundo", e lembrou que "é responsabilidade de todos mudar o discurso mundial baseado na intimidação".

"Deixem-me lembrar que aquele que cria problemas para os demais é o primeiro a tê-los", afirmou.

Além disso, Ahmadinejad disse que, se os países ocidentais "mudassem seu comportamento, muitas coisas melhorariam" na ordem mundial e "problemas desnecessários" poderiam ser evitados.

O presidente afirmou que a comunidade internacional deveria estar discutindo "por que alguns países querem impor sua visão a outros", e que os países ocidentais deveriam basear sua política externa em um "retorno à justiça e aos valores espirituais". "Não queremos que estes países nos façam sofrer, como no passado", concluiu.

O Irã compareceu pela primeira vez como país observador em uma cúpula da SCO, que completou cinco anos na quinta-feira. A presença de Ahmadinejad, no entanto, chamou a atenção da mídia internacional.

A SCO, formada para promover a estabilidade, a integração e a autonomia dos países da Ásia Central, é formada por Rússia, China, Cazaquistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e Cazaquistão. Junto ao Irã, Índia, Paquistão e Mongólia são observadores. Para os membros da SCO, a organização é um contrapeso à hegemonia americana na região.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,22
    3,142
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,67
    70.477,63
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host