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14/07/2006 - 17h21

Chirac se nega a revelar intenções para 2007 ou falar de balanço

Paris, 14 jul (EFE).- Faltando dez meses para o fim de seu segundo mandato, o presidente da França, Jacques Chirac, se negou hoje a revelar suas intenções para as eleições presidenciais de 2007, e não quis se pronunciar sobre seus mais de onze anos no Palácio do Eliseu, porque para ele não é "hora do balanço", mas da "ação".

Em sua tradicional e provavelmente última entrevista televisionada por ocasião da festa nacional de 14 de julho, Chirac advertiu sobre a situação "perigosa" do Oriente Médio, que pode "nos levar à beira do abismo".

Os planos para os próximos meses incluem a continuação da luta pelo emprego - o objetivo é que o índice de desemprego passe de 9,1% para menos de 8% daqui a um ano -, a redução das cotações sociais, uma reforma do Judiciário "antes do fim de ano", e a criação de um serviço público de orientação para os jovens.

Chirac também quer uma reforma do diálogo social para garantir que não haja modificações nas leis trabalhistas sem combinação prévia com as organizações sindicais e profissionais, uma proposta contrária à frustrada tentativa de Villepin de impor, no início do ano, o Contrato de Primeiro Emprego para os jovens.

O presidente francês também se mostrou a favor de uma ajuda financeira de início de curso para os estudantes universitários, mas não precisou a quantia.

Apesar da insistência dos jornalistas que o entrevistaram no Palácio do Eliseu, depois do tradicional desfile militar de 14 de julho, Chirac manteve a ambigüidade sobre se sairá candidato ou não ao terceiro mandato nas eleições do ano que vem, e disse apenas que - como declarou há três semanas - anunciará sua decisão "no primeiro trimestre" de 2007.

"Não me situo em um tempo limitado", insistiu Chirac, ao afirmar que sua própria decisão não será influenciada pela de seu partido, a governante União para um Movimento Popular (UMP).

A UMP, liderada pelo número dois do Governo e titular do Ministério do Interior, Nicolas Sarkozy - que busca suceder Chirac no Palácio do Eliseu em 2007 -, deve designar seu candidato presidencial em 14 de janeiro.

Chirac, que já advertiu publicamente Sarkozy - há dois anos chegou a dizer: "eu decido, ele executa" -, teve hoje palavras de elogio para o ministro do Interior francês.

O presidente francês disse que suas relações com Sarkozy são "muito boas", elogiou sua ação contra a insegurança, reconheceu seu caráter de estadista e defendeu seu plano para crianças escolarizadas de pais imigrantes ilegais.

Após um ano político ruim - o "não" à Constituição européia no plebiscito de maio de 2005 e a violência nos bairros conflituosos no segundo semestre do ano passado, além das manifestações esse ano contra o Contrato do Primeiro Emprego -, e junto com o drama pessoal de ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC), Chirac obteve recordes de impopularidade nos últimos meses.

No entanto, acaba de subir um pouco nas pesquisas, talvez graças à atuação da seleção francesa na Copa do Mundo da Alemanha.

Enquanto uma pesquisa indica que 47% dos franceses consideram que seus dois mandatos foram "úteis" - 43% pensam o contrário -, Chirac não quis fazer um balanço de sua atuação.

"Considero que na França há problemas suficientes, iniciativas suficientes a serem tomadas para responder às responsabilidades de um Governo e de uma maioria (parlamentar) para se perguntar pelo sexo dos anjos", disse o chefe de Estado francês.

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