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01/08/2006 - 09h36

Israel amplia ofensiva enquanto continuam gestões diplomáticas

Jerusalém/Beirute, 1 ago (EFE).- Israel ampliou a campanha militar terrestre no sul do Líbano e mantém os bombardeios em outras regiões do país, o que afasta as expectativas de um cessar-fogo rápido, mas as negociações diplomáticas continuam.

Segundo fontes do Governo, as tropas israelenses - com o reforço de milhares de reservistas - receberam a ordem de destruir a infra-estrutura das milícias do Hisbolá até o rio Litani, a cerca de 20 quilômetros da fronteira, despois de o Gabinete de Segurança israelense ter autorizado na segunda-feira a ampliação das operações por terra.

A extensão da ofensiva contra alvos da milícia xiita começou de madrugada, com a entrada de novos soldados do corpo de pára-quedistas, de infantaria e de engenheiros, junto de equipamentos pesados, em território libanês, onde continuam os combates.

A rede de televisão "Al-Manar", ligada ao Hisbolá, informou hoje que os milicianos frustraram durante a noite tentativas das tropas israelenses de avançar para as localidades libanesas de Adisa, Kfar Kala e Aita al-Shaab, onde "ocorreram combates violentos", nos quais vários soldados israelenses foram "mortos ou feridos".

Segundo a rede de televisão catariana "Al Jazira", três militares israelenses morreram nos combates. A imprensa libanesa informou também sobre ataques da artilharia israelense contra localidades como Al-Mansuri e Al-Teibi, no sul do Líbano.

Fontes militares israelenses disseram que a ofensiva para retirar o Hisbolá do sul do Líbano pode se prolongar por "até duas semanas".

Se Israel conseguir este primeiro objetivo, o país pretende garantir que o território fique sob o controle de uma força multinacional ou do Exército libanês.

A aviação israelense continuou hoje seus ataques em diferentes pontos do país após o fracasso, ontem, de uma anunciada trégua de bombardeios de dois dias, que não durou mais que algumas horas.

Aviões de combate israelenses atacaram hoje a estrada que liga Hermel, no noroeste do Líbano, à cidade síria de Homs, assim como a uma aldeia próxima a Naqura, no sul do país. Segundo a televisão libanesa "Future", não foram encontradas vítimas até agora.

Fontes israelenses informaram também sobre o bombardeio de depósitos e de uma plataforma lança-foguetes do Hisbolá no sul do Líbano, no qual um veículo, no qual viajavam um oficial e soldados libaneses no norte de Tiro, foi atingido por engano. O Exército israelense pediu desculpas por esse incidente.

Além disso, fontes policiais informaram hoje sobre um ataque, sem conseqüências, de morteiros do Hisbolá contra a aldeia israelense de Margaliot, depois que milicianos dispararam ontem dois foguetes.

O Comando da Defesa Civil israelense pediu hoje novamente que a população continue nos abrigos de segurança. Militares israelenses acreditam que o Hisbolá ainda pode disparar mísseis terra-terra de longo alcance, que podem chegar a 200 quilômetros.

A intensificação das operações militares parece afastar a possibilidade de cessar-fogo, mas, segundo os EUA, um acordo pudesse ser conseguido ainda nesta semana.

"Não há cessar-fogo nem haverá nos próximos dias", disse na segunda-feira o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que garantiu em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que a esperada trégua poderá ser declarada "quando a força multinacional no sul do Líbano for instalada".

A ONU decidiu ontem à noite adiar a reunião para estudar os planos de posicionamento dessa força, já que a maioria dos países considera que, primeiro, é necessário um acordo político. A França e a Alemanha falaram sobre a necessidade de não deixar à margem das negociações o Irã e a Síria, aliados do Hisbolá.

O ministro das Relações Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, que terminou hoje uma visita a Beirute após se reunir com o ministro de Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, disse que o Irã "é um ator imprescindível" e que a confiança da comunidade internacional no país "seria ideal".

O ministro de Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que o mundo "não deve temer que a Síria atrapalhe o processo".

"O objetivo deveria ser que Damasco participe construtivamente do processo, o que, além disso, ajudaria na busca de uma estabilidade no Oriente Médio", afirmou.

Douste-Blazy e Steinmeier participarão hoje da reunião urgente de ministros de Exteriores da União Européia em Bruxelas.

O objetivo é conseguir uma "posição comum" dos 25 países-membros do bloco, incluindo o Reino Unido, sobre a necessidade de um "cessar-fogo imediato", o que "é possível", segundo fontes da Presidência finlandesa, que destacaram o peso que pode ter no debate o bombardeio israelense na cidade libanesa de Qana, que matou 57 civis, 37 deles crianças.

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