UOL Notícias Notícias
 

04/08/2006 - 13h21

Sobreviventes da bomba atômica ganham direito a reconhecimento

Juan Antonio Sanz Tóquio, 4 ago (EFE).- O Tribunal do Distrito de Hiroshima afirmou hoje que 41 sobreviventes da bomba atômica devem ser reconhecidos como vítimas da radiação desprendida da explosão da bomba, lançada há 61 anos.

Este reconhecimento abre caminho para que os litigantes possam aspirar o reconhecimento de suas doenças pelo Governo, o que abriria espaço para o pedido de compensações médicas especiais, algo muito difícil no país.

A sentença foi oficializada dois dias antes do 61º aniversário da explosão da primeira bomba nuclear, que atingiu a cidade de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945.

Nesse dia, o bombardeiro americano B-29 "Enola Gay" lançou a bomba atômica que destruiu Hiroshima e causou a morte de 140 mil pessoas longo daquele ano.

Em 9 de agosto, os Estados Unidos lançaram a segunda bomba atômica, dessa vez em Nagasaki, também no sudoeste do Japão, onde morreram outras 130 mil pessoas.

As queimaduras e doenças provenientes da radiação a que centenas de milhares de pessoas ficaram expostas aumentaram com o passar dos anos o número de mortes para cerca de 300 mil.

Apesar de ser uma das maiores tragédias da história do Japão, grande parte dos sobreviventes das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki tiveram problemas na hora de receber indenizações.

A decisão do Tribunal do Distrito de Hiroshima é a segunda deste tipo tomada no Japão, após o ditame de uma corte judicial de Osaka em maio, também favorável aos que sofrem os efeitos da bomba.

Ambos os tribunais questionaram os critérios utilizados pelo Governo japonês para estabelecer os certificados que reconhecem as vítimas das bombas.

A sentença critica a maneira pela qual o Estado entendeu os danos internos e externos causados pela radiação para emitir esses certificados.

As bases dessas certidões "são limitadas e frágeis", diz a sentença.

Os critérios governamentais se apóiam em fatores como a distância a que os atingidos se encontravam da explosão, sem levar em consideração os efeitos do vento e da chuva, que carregaram a radiação por vários quilômetros, onde as vítimas sofreram seus efeitos quase com a mesma intensidade que nas imediações do lugar da explosão da bomba.

Entre os 41 litigantes que obtiveram a vitória no julgamento de hoje, dezessete sofreram os efeitos da radioatividade a mais de dois quilômetros do centro da explosão.

Outros dois sobreviventes receberam a radiação dias depois de visitar a região central do bombardeio, em busca de parentes.

A maior parte deles manifestou imediatamente sintomas agudos da exposição à radiação, como vômitos e perda de cabelo.

Com o passar do tempo, desenvolveram câncer, transtornos hepáticos, cataratas e outras doenças graves.

O Governo do Japão, no entanto, negou o pedido de reconhecimento de que suas doenças foram causadas pela radiação da bomba, argumentando que tais doenças se deviam a causas não relacionadas com a exposição à radioatividade.

Os Ministérios da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social disseram estar estudando cada um dos casos com base no histórico médico dos pacientes.

Cerca de 180 sobreviventes das bombas atômicas abriram processo em quatorze tribunais japoneses pedindo a certidão oficial de que suas doenças estejam ligadas à exposição à radiação nuclear, com um pedido de indenização de três milhões de ienes (US$ 26 mil) cada um.

Os números totais mostram que das 260 mil pessoas consideradas vítimas das bombas atômicas, apenas 2.200, 0,8%, receberam o certificado de doenças derivadas da radiação.

Mesmo a sentença judicial de maio na Corte do Distrito de Osaka, que reconheceu os litigantes como vítimas da radiação, lhes negava o direito a uma indenização.

Apesar disso, tanto a decisão de Osaka, como a de hoje em Hiroshima abrem as portas para um amplo reconhecimento judicial dos direitos das vítimas das bombas atômicas, como afirmaram, nesta sexta-feira, algumas das vítimas.

"Estou muito feliz com esta vitória, que terá impacto em outros julgamentos", disse o representante dos litigantes Sumio Shigezumi.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,40
    3,181
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    2,01
    70.011,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host