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17/10/2006 - 20h23

Acordo de Saint Andrews esbarra em boicote de líder unionista

Javier Aja Dublin, 17 out (EFE).- Cinco dias após ser apresentado com grande otimismo aos partidos da Irlanda do Norte (Ulster), o acordo de Saint Andrews esbarrou hoje na primeira pedra no caminho para o restabelecimento da autonomia da região, suspensa desde outubro de 2002.

O líder do majoritário Partido Democrático Unionista (DUP), Ian Paisley, decidiu boicotar uma reunião em Belfast, onde estava previsto que se encontraria com o dirigente máximo do Sinn Féin (braço político do IRA), Gerry Adams, com quem nunca trocou uma palavra.

A esperada foto de ambos os líderes sentados na mesma mesa terá que esperar porque o reverendo não ficou contente com alguns aspectos do calendário apresentado por Londres e Dublin na sexta-feira passada em Saint Andrews (Escócia).

Segundo Paisley, o Governo britânico havia garantido que o futuro principal vice-ministro do Ulster - que quase certamente será o "número dois" do Sinn Féin, Martin McGuinness - deveria demonstrar seu apoio às forças de segurança norte-irlandesas no dia de sua posse.

O acordo não menciona tal fato, mas obriga os republicanos a aceitarem a autoridade da Polícia autônoma norte-irlandesa (PSNI) antes de 24 de novembro, data na qual também será eleito o principal ministro do Ulster, cargo ao qual o próprio Paisley é candidato.

Segundo alguns observadores, o líder unionista radical está radiante diante da possibilidade de ver McGuinness, antigo comandante do IRA (Exercito Republicano Irlandês) durante parte do conflito na região, se "humilhar" jurando publicamente lealdade à Coroa britânica.

A reunião hoje em Belfast do Comitê Preparatório de Governo era vista como o primeiro passo de dito plano, conhecido como o "acordo de Saint Andrews" e cujo objetivo é formar um governo autônomo de poder partilhado entre católicos e protestantes já em 26 de março de 2007.

Apesar do acordo estar cuidadosamente redigido para que os partidos ofereçam concessões aos adversários sem perder credibilidade junto aos eleitores, este equilíbrio delicado encheu o documento de imprecisões que, como ficou provado hoje, pouco a pouco serão descobertas.

Essa é a opinião do líder do moderado Partido Unionista do Ulster (UUP, terceira força da província), Reg Empey, que falou de "conteúdos ocultos" no pacto e de "pânico" nas fileiras do DUP e do Sinn Féin.

"Está perfeitamente claro que partes do acordo começam a vir à tona agora. Temos, além disso, um namorado nervoso (Sinn Féin), uma namorada indecisa (DUP) e um casamento de conveniência", explicou Empey.

O DUP sabe melhor que ninguém o risco que formar um Governo de poder partilhado com os republicanos representa, já que o último dirigente do partido e principal ministro do Ulster, David Trimble, pagou nas últimas eleições autônomas por sua união com um Sinn Féin cujo braço armado, o IRA, não tinha completado ainda a destruição de seu arsenal.

Os organismos de controle correspondentes confirmaram recentemente o compromisso do IRA com a paz, mas o DUP não quer cometer erros e, por esse motivo, tentará obter mais concessões de Adams e McGuinness antes de dar o passo definitivo.

Para o quarto partido norte-irlandês, o moderado Social-Democrata Trabalhista (SDLP, nacionalista), este primeiro tropeço não é nada além de "problema fabricado" pelos unionistas para manter sua imagem radical.

Seu líder, Mark Durkan, pediu a todas as partes que não se deixem levar pelo "pânico" e que continuem trabalhando para aplicar o calendário estabelecido por Londres e Dublin no acordo de Saint Andrews.

"O boicote do DUP à reunião do Comitê Preparatório de Governo emite sinais confusos. Espero que Paisley pense melhor", acrescentou Durkan.

Após o boicote de Paisley, o Governo de Londres decidiu suspender o encontro "para que os partidos continuem estudando o acordo", mas lembrou que 10 de novembro de 2006 é a data limite para que confirmem seu compromisso definitivo com o plano de paz.

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