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25/10/2006 - 16h53

Investigação sobre seqüestro em Gaza concentra-se em porteiro

José Vericat Gaza, 25 out (EFE).- Menos de 24 horas após a libertação do fotógrafo espanhol Emilio Fernández Morenatti, as investigações para descobrir os autores do seqüestro concentram-se no porteiro do prédio onde ele morava na Cidade de Gaza, um jovem palestino que supostamente pode ter transmitido informações sobre seus movimentos.

Em declarações à Efe, o principal investigador do caso, um oficial das forças de segurança palestinas que pediu a manutenção de seu anonimato, afirmou que "a detenção de Fais Abu Amra foi a chave da libertação do fotógrafo." Fais Abu Amra, de pouco mais de 20 anos, "era um dos dois porteiros do edifício onde Morenatti morava e, aparentemente, a pessoa encarregada de vigiar o fotógrafo para que ele fosse seqüestrado", disse a fonte.

"Abu Amra, atualmente nas mãos da Segurança Preventiva palestina, despertou suspeitas dos investigadores porque, apesar de normalmente cobrir o turno de dia, dormiu no edifício junto ao outro porteiro na noite anterior à captura de Morenatti", afirmou o oficial.

"O jovem disse a seus companheiros de trabalho que tinha problemas familiares e, por isso, decidira passar a noite fora de casa, o que lhe permitiu alertar seus cúmplices sobre a saída do fotógrafo do imóvel, conhecido como edifício Haizam III", afirmou o agente palestino.

"Depois de ser preso, Fais se desesperou no interrogatório e revelou os nomes de seus cúmplices, os quatro encapuzados que levaram Morenatti" na manhã da terça-feira, afirmou o oficial.

"Já com os nomes dos envolvidos, as forças de segurança palestinas entraram em contato com membros do clã Abu Amra para que eles facilitassem a entrega do fotógrafo sem ter de recorrer à violência", disse o oficial palestino.

Grande parte dos membros do clã Abu Amra, inclusive Fais, vivem - alguns em barracos, outros em casas - muito perto do edifício Haizam III, no bairro de Rimal, no sul da Cidade de Gaza, em uma região compreendida entra a residência do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e a Universidade Islâmica.

A família beduína de Abu Amra, que durante a guerra de 1948 viu-se obrigada a sair da região de Be'er Sheva e ir para a Faixa de Gaza, é uma das mais poderosas da região, e tem milhares de membros.

"Como outros grandes clãs em Gaza, muitos dos Abu Amra têm fama de ter vínculos com o mundo do crime, que em Gaza implica principalmente o tráfico de armas e o roubo de veículos", disse a fonte.

Por outra parte, moradores do imóvel declararam à Efe que foi "justamente essa reputação de (família de) pistoleiros" levou Fais Abu Amra a trabalhar no prédio.

Freqüentemente, os proprietários de edifícios de empregam membros do clã Abu Amra como seguranças de seus edifícios porque isto lhes dá garantias de que nenhum deles tentará roubar-lhes e, ao mesmo tempo, dissuade outros possíveis ladrões, disseram os moradores.

O "remédio", que no caso de Morenatti tornou-se a causa do seqüestro, deve-se ao aumento da influência do sistema de clãs que se seguiu ao vazio de poder registrado em Gaza durante os últimos seis anos de confrontos com Israel.

Segundo o investigador, o motivo do seqüestro, é sem dúvida alguma, o dinheiro, e não político: "Um plano adolescente tramado por um grupo de amigos", disse.

"Os cinco envolvidos são membros do mesmo clã familiar, têm mais ou menos a mesma idade e não têm filiação política marcante", afirmou o oficial, embora os moradores do edifício Haizam III digam que "Fais Abu Amra afirma que se identifica mais com o movimento nacionalista Fatah." De acordo com os moradores, a família de Fais Abu Amra tem poucos recursos, e é composta por nove filhos e uma mãe cujo marido morreu há anos.

As autoridades palestinas afirmaram que levarão os responsáveis à Justiça, mas por enquanto só detiveram Fais. É provável que, durante as negociações para a libertação de Morenatti tenham chegado a um acordo comprometendo-se a pôr fim à perseguição, como fizeram em casos anteriores.

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