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28/10/2006 - 17h43

Farc e Governo colombiano começam a se reaproximar

Bogotá, 28 out (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Governo do presidente Álvaro Uribe começaram hoje a se reaproximar, após um afastamento que decepcionou os familiares dos seqüestrados pelo grupo guerrilheiro.

As Farc, num comunicado divulgado na internet, reiteraram sua "vontade" de realizar uma troca humanitária, apesar de Uribe "ter fechado a porta na cara dos prisioneiros de guerra".

"Ratificamos nossa vontade e proposta de concretizar a troca e a plena disposição para que, uma vez superada essa etapa, possamos juntos avançar em processos políticos que levem a acordos de convivência e paz", disse hoje a guerrilha.

O presidente colombiano pediu, por sua vez, "gestos de boa-fé", em resposta ao comunicado da organização guerrilheira.

Uribe tinha anunciado em 19 de outubro a paralisação de todas as aproximações com as Farc e ordenou o resgate dos seqüestrados pela via militar, após atribuir à organização guerrilheira um atentado com carro-bomba que deixou mais de 30 feridos.

A principal guerrilha colombiana reiterou sua "vontade" de efetuar a troca de 59 reféns por cerca de 500 rebeldes presos.

O comunicado, que tem seis pontos e é assinado pela "secretaria do Estado-Maior central", foi publicado justamente quando setores sociais, políticos e da Igreja, e principalmente parentes dos seqüestrados, pedem às partes que assinem o acordo de troca humanitária.

"Os colombianos precisam de atos que demonstrem boa-fé", disse Uribe, no âmbito de uma reunião com líderes comunitários na cidade de Barranquilla (norte).

O próprio Uribe tinha pedido às Farc na quarta-feira, diante de jornalistas estrangeiros em Bogotá, a libertação dos seqüestrados e à demonstração ao mundo de que não eram "terroristas".

No comunicado de hoje, os rebeldes não reivindicaram a autoria do atentado com o carro-bomba perpetrado no último dia 18 no estacionamento da Escola Superior de Guerra da capital. Para a guerrilha, foi uma ação como muitas, "como se o país não fosse palco diário de um intenso confronto exaltado pelo próprio presidente e não se soubesse que os generais põem bombas para culpar as Farc e impedir qualquer solução política para o conflito".

Segundo os guerrilheiros, o Governo de Uribe abandonou os parentes dos "prisioneiros" e as organizações favoráveis à "troca humanitária".

A "troca humanitária" busca a libertação, entre outros, da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, de vários ex-congressistas, de um ex-ministro, de um ex-governador, de mais de dez deputados departamentais, de soldados e policiais e de três americanos.

Até o dia do atentado em Bogotá, nunca antes as partes tinham se aproximado tanto. Uribe tinha aceitado até uma "zona de encontro" no território dos municípios de Florida e Pradera, no departamento de Valle (sudoeste).

Tanto o comunicado dos rebeldes como a breve declaração de Uribe abrem novamente uma esperança em diferentes setores.

Para Luis Augusto Castro, presidente da Conferência Episcopal colombiana e bispo de Tunja, "é muito importante, frente a tudo o que ocorre, rever as coisas".

Ele acrescentou que "é preciso distinguir muito bem acordo humanitário e acordo político". "Um acordo humanitário não deve ter muitas condições, muitas exigências. E isto vale para as duas partes", disse Castro em declarações à "Rádio Caracol".

"Acho que o presidente pensa todos os dias sobre isto, têm assessores, ouve, e naturalmente imagino que pouco a pouco buscará, também, outros caminhos para que o retorno dos seqüestrados a suas famílias possa acontecer sem que se chegue ao pior, a tentativa de tirá-los a sangue e fogo", acrescentou.

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