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04/11/2006 - 19h21

XVI Cúpula Ibero-americana põe o dedo na ferida das migrações

Eduardo Davis Montevidéu, 4 nov (EFE).- Os Governos ibero-americanos puseram hoje, com mais retórica que conteúdo, o dedo na ferida das migrações, um fenômeno associado à pobreza que expulsou de seus países cerca de 30 milhões de pessoas.

As migrações, tema central da XVI Cúpula Ibero-Americana, que acontece no Uruguai, foram abordadas nas primeiras sessões por todos os líderes, que pediram a criação de melhores condições para o desenvolvimento, de modo que seja possível conter a avalanche de pessoas que abandonam seus países.

Participaram das reuniões os chefes de Estado e de Governo da Argentina, Andorra, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Espanha, Honduras, México, Paraguai e Portugal, além do rei Juan Carlos da Espanha e o anfitrião Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai.

Por diferentes razões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu, assim como os chefes de Estado de Cuba, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela, o que fez esta cúpula ibero-americana ser a que menos presença teve em sua história.

A chilena Michelle Bachelet, estreante na cúpula e a única mulher entre os chefes de Estado e de Governo, falou em nome das mulheres ibero-americanas e pediu que a comunidade adote "políticas de gênero" que impeçam que "a capacidade e o talento" feminino sejam desperdiçados.

Bachelet recebeu o apoio do salvadorenho Elías Antonio Saca, que, ao falar do assunto central da cúpula como representante de um país abandonado por 25% de sua população, alertou sobre "a feminização das migrações, que tem um efeito direto sobre os jovens e sobre a desintegração familiar".

O boliviano Evo Morales fortaleceu o tom de denúncia em torno do assunto e disse que, quando as migrações eram norte-norte ou norte-sul, não havia muros, deportações ou barreiras migratórias como as atuais.

Como fez em outras cúpulas, Morales apresentou seu próprio testemunho ao lembrar que, há alguns anos, viajou à Espanha e teve um problema no aeroporto de Madri, quando dois oficiais lhe pediram US$ 500 para poder entrar no país.

"Finalmente, fiquei zangado e lhes disse: 'Se por 500 anos (os espanhóis) nos saquearam, não tenho US$ 500'", disse diante de 16 líderes.

Em meio à retórica característica de toda cúpula, a única proposta concreta foi apresentada pelo presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que sugeriu a criação de um fundo ibero-americano para facilitar o acesso à água.

Segundo Zapatero, a Espanha se compromete a financiar o fundo, que teria como objetivo ajudar os países da região a alcançar um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estabelecidos pelas Nações Unidas, que fala sobre o acesso universal à água potável.

Nos bastidores da cúpula, houve diversas reuniões bilaterais e, algumas delas, também trouxeram resultados concretos.

O de mais impacto nas duas margens do Rio da Prata foi um anúncio do rei Juan Carlos da Espanha, que, em reunião com o argentino Néstor Kirchner, aceitou a proposta de ser o "facilitador" no conflito que envolve duas fábricas de celulose e os Governos de Buenos Aires e Montevidéu.

Montevidéu, segundo uma fonte oficial, aceitou o papel do rei num conflito que há dois anos prejudica suas relações com Buenos Aires, devido a duas fábricas de celulose - uma espanhola e outra finlandesa - que seriam construídas às margens do rio Uruguai, que fica na fronteira entre os dois países.

Kirchner tinha sido um dos últimos a chegar na sexta-feira ao Uruguai e não assistiu à abertura do evento. O presidente argentino foi também o primeiro a abandonar a cúpula. Durante sua estada, pelo menos publicamente, Kirchner sequer apertou a mão do anfitrião Tabaré Vázquez.

Apesar da rapidez de sua visita, o presidente argentino fechou um acordo com o primeiro-ministro espanhol, José Zapatero, por meio do qual será criado um mecanismo para que, antes de 2012, seja cancelada por completo toda a dívida de US$ 850 milhões que o país tem com a Espanha desde 2001.

Na reunião em Montevidéu, garantiu-se, além disso, a continuidade desta cúpula anual, que começou em 1991 na cidade de Guadalajara, no México.

O documento final fala, além disso, sobre as reuniões de 2010 e 2012, para as quais se candidataram respectivamente a Argentina e a cidade espanhola de Cádiz.

Além disso, fontes diplomáticas de Portugal disseram que o país se ofereceu para organizar a cúpula de 2009, o que foi "bem recebido".

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