UOL Notícias Notícias
 

05/12/2006 - 16h04

Pinochet em franca recuperação em meio a dúvidas sobre seu infarto

Nelson Sandoval Díaz Santiago do Chile, 5 dez (EFE).- O ex-ditador chileno Augusto Pinochet entrou hoje em um período de recuperação, enquanto persistem as dúvidas sobre a veracidade ou intensidade do infarto do miocárdio que sofreu há dois dias e que, segundo pessoas próximas, o deixou à beira da morte.

Pinochet, de 91 anos, superou "as 48 horas críticas" e a condição de risco de morte em que estava desde a madrugada do domingo, quando foi internado no Hospital Militar de Santiago, indicou hoje o relatório médico.

"As horas críticas foram superadas, o paciente está consciente, conversa e se alimenta", disse Juan Ignacio Vergara, chefe da equipe médica que atendeu o ex-governante (1973-1990).

Vergara acrescentou que a evolução de Pinochet é tão positiva que hoje mesmo o paciente se levantou e fez alguns exercícios orientados por um fisioterapeuta.

O médico descartou que a doença de Pinochet tenha sido uma farsa para escapar dos processos que enfrenta, e assegurou que o ex-ditador superou o infarto porque ter recebido "um atendimento médico eficiente e oportuno".

A recuperação de Pinochet, que no domingo chegou a receber a extrema-unção, foi considerada "um milagre" por seus parentes, enquanto alguns de seus opositores disseram que tudo não passou de uma farsa para escapar da Justiça.

"Se uma pessoa de 91 anos, com diabetes e outras doenças, tivesse sofrido um infarto no miocárdio e um edema pulmonar, estaria morta", afirmou o advogado Hugo Gutiérrez, que acusa Pinochet na justiça, dizendo ter consultado cardiologistas.

As suspeitas se baseiam no fato de não ser a primeira vez que Pinochet adoece quando os tribunais devem julgá-lo.

Na segunda-feira - enquanto, segundo médicos e parentes, Pinochet estava à beira da morte - a Corte de Apelações outorgou a liberdade provisória ao ex-ditador, em um julgamento por violações aos direitos humanos pelo qual tinha sido processado e detido, em 27 de novembro.

Posteriormente, seus advogados anunciaram que pedirão a interrupção definitiva de todas as ações judiciais que envolvem o nonagenário militar, sob o argumento de que o réu padece de "uma doença incurável".

Atualmente, nove juízes empreendem processos que envolvem Pinochet em violações aos direitos humanos ou em crimes econômicos, e em alguns deles poderia haver uma sentença dentro de pouco tempo.

"Poderia haver decisão judicial em um mês", disse à imprensa o juiz Alejandro Solís, que processou Pinochet por desaparecimentos e torturas cometidas na "Vila Grimaldi", um centro de detenção da Polícia secreta da ditadura militar.

As vítimas consideraram que seria "lamentável" que Pinochet morresse sem ter sido condenado, depois que se comprovou judicialmente seu envolvimento em violações aos direitos humanos, disse Mireya García, vice-presidente da Associação de Familiares de Presos Desaparecidos.

Marco Antonio Pinochet, filho mais novo do ex-ditador, admitiu hoje que em condições "normais" outra pessoa teria morrido, mas lembrou que seu pai conta com um serviço médico permanente em sua casa, e disse que a rapidez com que foi transferido ao hospital salvou sua vida.

"Se demorasse cinco minutos mais, teria morrido", disse Marco Antonio, para quem o Hospital Militar e seus médicos não se prestariam à suposta farsa que os inimigos de seu pai denunciaram.

O Governo, através do ministro do Interior, Belisario Velasco, descartou que a gravidade do estado de saúde de Pinochet tenha sido uma simulação, mas também negou que o ex-ditador seja um perseguido político.

"Nos atemos aos relatórios oficiais e boletins médicos do Hospital Militar, não acreditamos em nenhuma outra coisa", disse Velasco. Sobre a suposta perseguição, o ministro comentou que "os tribunais atuam conforme suas disposições legais e, nisso, o Governo não tem comentários".

A presidente Michelle Bachelet fez as primeiras referências públicas à situação de Pinochet na noite da segunda-feira, mas só comentou considerar "de mau gosto" que perguntassem sobre o eventual funeral do ex-governante.

"É de mau gosto falar sobre funerais de pessoas que estão vivas", disse a governante, após um jantar com empresários.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,95
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h28

    -1,26
    74.443,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host