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12/12/2006 - 10h17

ONU critica indiferença internacional em relação a crise em Darfur

Genebra, 12 dez (EFE).- A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louise Arbour, criticou hoje a indiferença internacional em relação à grave crise humanitária em Darfur, no Sudão, e apontou o Governo de Cartum como responsável de parte dos abusos cometidos na região.

"O desesperado sofrimento do povo de Darfur foi tratado por muito tempo com negligência", afirmou Arbour na inauguração de uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU sobre a situação em Darfur, convocada por iniciativa da União Européia (UE).

A alta comissária pediu aos 47 países-membros do órgão que adotem decisões que contribuam para a proteção dos civis na região e lembrou a eles que as vítimas de abusos "têm direito a esperar deles uma resposta crível".

Arbour disse que a informação recolhida desde o final de 2005 em Darfur indica "uma exacerbação do padrão de abusos, que inclui o aumento de ataques terrestres por parte do Exército sudanês e de grupos de homens armados".

A comissária ressaltou que, apesar de parte dos assaltos ser atribuída a grupos rebeldes ou tribos em conflito entre elas, testemunhas e vítimas têm descrito muitas das agressões como "operações coordenadas entre as forças governamentais e a milícia vinculada a elas".

Arbour mencionou "bombardeios indiscriminados de aviões do Governo" e disse que a responsabilidade dos civis feridos, do deslocamento forçado de povos e dos saques da propriedade privada recaem tanto na milícia, em rebeldes, em bandidos, como em efetivos governamentais.

Nesse contexto, Arbour rejeitou a teoria de que a violência que arrasou grande parte de Darfur desde o início de 2003 é produto de rivalidades tribais.

Além disso, a comissária mencionou investigações de um grupo de especialistas da ONU que denunciou a entrada de armamento no Sudão a partir de países vizinhos.

"Existe uma evidência crível que se refere à responsabilidade do Governo na modernização do arsenal e dos meios de transporte da milícia", acrescentou Arbour, que ao mesmo tempo denunciou a atuação dos rebeldes.

"Eles também são responsáveis de assassinatos, estupros, mutilações, torturas e da destruição dos meios de subsistência dos civis", explicou.

Segundo as Nações Unidas, nas últimas seis semanas 80 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas e centenas delas, incluindo mulheres e crianças, foram assassinadas em um conflito que já se estendeu ao Chade e à República Centro-Africana.

Durante a sessão que o CDH realiza hoje sobre Darfur, serão debatidos projetos de resolução apresentados pela UE e pelo bloco de países africanos, a primeira de tom mais crítico que a segunda.

Os europeus, que contam com o apoio de países de várias outras regiões, propõem a criação de uma comissão independente que teria que viajar a Darfur para investigar as responsabilidades dos abusos a que Arbour se referiu.

Embora concordem com a criação do grupo de investigação, os africanos pretendem que este seja constituído por representantes de Governos.

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