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26/12/2006 - 18h13

Fidel não tem câncer e está em fase de recuperação, afirma médico espanhol

Madri, 26 dez (EFE).- Fidel Castro não sofre de câncer e está em fase de recuperação, segundo o cirurgião espanhol José Luis García Sabrido, que viajou na quinta-feira a Havana para avaliar o estado de saúde do presidente cubano.

García Sabrido, chefe do serviço de Cirurgia do Hospital Público Gregorio Marañón da capital espanhola e reconhecido especialista no tratamento de tumores do aparelho digestivo, concedeu entrevista coletiva para informar sobre sua visita a Fidel.

A partir do cumprimento do segredo profissional, García Sabrido forneceu dados significativos sobre o estado de Fidel, cinco meses depois de este ter delegado suas funções ao seu irmão mais novo, Raúl, por conseqüência de uma operação cirúrgica que Havana trata como segredo de Estado.

A informação mais significativa foi ter desmentido que o líder cubano sofre de um câncer - "até onde eu conheço, desminto absolutamente" - e constatar que ele está em fase de "recuperação" após uma operação que qualificou como "gravíssima".

O chefe do Estado cubano padece de um processo benigno ocasionado por uma série de problemas pós-operatórios, que não tornam necessária uma nova intervenção, disse o médico espanhol, que atendeu Fidel a título "exclusivamente" pessoal.

García Sabrido afirmou que o presidente cubano mantém "uma atividade intelectual intacta e fantástica", o que torna "muito difícil" as tentativas dos médicos cubanos de limitar seu desejo de voltar às suas funções.

Nesta visita, a primeira de García Sabrido a Fidel, o médico constatou "o senso do humor" do líder cubano, que o surpreendeu por sua "capacidade de relato de fatos pessoais e históricas".

García Sabrido destacou que "o estado de saúde do comandante cubano é bom" e considerou que, se sua recuperação for absoluta, poderá retomar sua atividade anterior "naturalmente", embora isso seja uma "decisão pessoal" a ser tomada pelo próprio Fidel.

Sobre o assunto, o médico ressaltou que se trata de um paciente de 80 anos e que, portanto, terá "os limites de recuperação" de um paciente dessa idade, e afirmou que os problemas pós-operatórios que sofre estão em "resolução lenta, mas progressiva".

O médico afirmou que o presidente de Cuba deseja retornar a seu trabalho "a cada dia, mas as recomendações médicas exigem prudência", e descartou que volte a visitá-lo dentro de pouco tempo.

"Estamos em contato para acompanhar sua recuperação. Esperamos, nas próximas semanas ou meses, ter um novo contato para ver se é necessária uma mudança" do tratamento que recebe, disse o médico.

García Sabrido defendeu a excelência da saúde cubana e explicou que "o acesso a determinadas tecnologias através dos mercados internacionais não é fácil".

O cirurgião, chamado pelas autoridades da ilha para dar sua opinião sobre o estado de saúde de Fidel e a estratégia da equipe médica cubana que o atende, disse que, após seu exame, "praticamente não foi realizada nenhuma mudança porque seu estado é estável e está em processo de recuperação paulatina".

Na opinião do médico, a estratégia terapêutica e logística médica do momento "é muito boa", sobretudo levando em conta que a saúde de Fidel está "em mãos de excelentes profissionais".

O fato de o presidente cubano não fumar há vários anos e fazer exercício físico "intenso" enquanto esteve à frente do país foram aspectos que também contaram a favor da recuperação.

Respondendo à pergunta de uma jornalista, que definiu Fidel como "ditador", García Sabrido disse que quando alguém pede sua opinião médica, não pergunta sobre religião ou tendência política.

"Para mim, Fidel é um paciente excepcional. Não deixa de ser um paciente e eu, um médico", afirmou.

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