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31/12/2006 - 14h02

Milhares de pessoas dão pêsames ao clã de Saddam em sua aldeia natal

Tikrit (Iraque), 31 dez (EFE).- Milhares de pessoas de distintas regiões sunitas do Iraque deram hoje pêsames ao clã de Saddam Hussein em Awja, sua aldeia natal, onde o ex-ditador foi enterrado após um velório fechado a algumas dezenas de parentes e pessoas próximas.

Segundo disseram à Efe membros do clã do ex-governante (Al Bunaser), grupos de pessoas viajaram para Awja e Tikrit (norte), todos eles procedentes de províncias nas quais os sunitas são maioria, como Nineva e Al-Anbar, para expressar condolências.

Saddam, condenado à morte por crimes contra a humanidade, foi enterrado por volta das 3h (22h de Brasília de sábado), em Awja, nos arredores de Tikrit, a cerca de 170 quilômetros de Bagdá, menos de 24 horas após seu enforcamento.

O ex-ditador foi enterrado num túmulo próximo aos de seus filhos, Uday e Qusay, mortos após a derrubada de seu regime, em abril de 2003, num confronto com tropas dos Estados Unidos na cidade de Mossul (norte).

O corpo de Saddam foi levado para Tikrit, capital de Salahedin, de sábado para domingo, num helicóptero militar americano, acompanhado pelo governador dessa província, Hamad Hammoud, e pelo chefe do clã Al Bunaser, o xeque Ali Yassin al-Nada.

Depois, o cadáver foi envolvido na bandeira do Iraque e levado num veículo até Awja, onde dezenas de homens de seu clã o enterraram e se reuniram para receber os pêsames numa mesquita local, segundo a tradição islâmica.

Nenhum dos filhos de Saddam participou dos funerais, já que seu único filho homem vivo, Ali, meio-irmão de Uday e Qusay, tinha viajado para a Europa antes da invasão do Iraque, em março de 2003.

As três filhas do ex-ditador, Raghad, Rana e Hala, abandonaram o país junto com a mãe, Sayeda, após a derrubada do regime do ex-governante. Desde então, todas vivem na Jordânia.

Algumas fontes iraquianas disseram que o clã de Saddam queria enterrá-lo em Ramadi, capital de Al-Anbar e reduto da insurgência sunita.

"Segundo informações que obtive, para o traslado do corpo de Saddam foram necessárias a aprovação do Departamento de Estado (dos EUA) e inclusive a autorização pessoal de (George W.) Bush", disse o vice-governador de Salahedin, Abdallah Hassan, à televisão dessa província, que desde a execução de Saddam divulga versículos do Corão.

Neste domingo, várias televisões árabes divulgaram um vídeo, supostamente gravado com um telefone celular, com imagens dos últimos momentos da execução de Saddam Hussein.

Nas imagens, de baixa qualidade, é possível ver Saddam acompanhado de seis carrascos encapuzados sendo conduzido à forca num quarto escuro.

Na gravação, também são ouvidas vozes que elogiam o rebelde clérigo xiita Moqtada al-Sadr e gritam "Moqtada, Moqtada, Moqtada".

Outras vozes elogiam a vida de Mohammed Baqer al-Sadr, pai de Moqtada, assassinado em 1998 durante o regime de Saddam Hussein.

Além disso, um dos carrascos grita para Saddam: "Vá para o inferno".

Logo em seguida, um representante da Procuradoria-Geral que estava no local interrompe o algoz e lhe diz: "Por favor, este homem vai ser executado".

Por sua vez, Saddam, vestido de preto, diz, enquanto olha para forca: "É uma forca da desgraça".

Depois, frisa que "esta é (uma demonstração de) virilidade", em referência ao fato de que não temia a execução.

No vídeo, Saddam também aparece lendo frases do culto muçulmano e dizendo "Não há outro Deus senão Alá e Maomé é seu profeta".

Exatamente na hora em que o ex-ditador é enforcado, a transmissão termina. Mas, ainda assim, é possível ouvir o corpo de Saddam caindo no cadafalso instalado na sala.

Já o Conselho dos Ulemás, a instituição que representa a comunidade sunita, e à qual Saddam pertencia, frisou hoje num comunicado que a execução do ex-ditador foi motivada por "ódios pessoais".

Além disso, a nota pede aos iraquianos que se contenham e prevê que no futuro haverá um "Governo iraquiano mais justo, capaz de condenar os que na atualidade matam os iraquianos e vendem a soberania de seu país".

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