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25/01/2007 - 19h12

Enchentes deixam 14 mortos e vários desaparecidos no Peru

Lima, 25 jan (EFE) - As autoridades de Defesa Civil do Peru disseram hoje que é "muito difícil" encontrar sobreviventes nas áreas da província de Chanchamayo atingidas por enchentes que deixaram 14 mortos e um grande número de desaparecidos.

"Até o momento, há 14 mortos", disse à Efe o chefe do Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci), Luis Felipe Palomino, que não pôde determinar quantos desapareceram nesta área do centro do Peru.

Segundo os moradores, cerca de 80 pessoas estariam desaparecidas.

No entanto, fontes oficiais reduzem este número para menos de 10.

A diferença e confusão das informações, afirmou Palomino, se deve "ao critério dos avaliadores" e ao fato de não saberem se as famílias que moravam nas casas soterradas "conseguiram fugir a tempo" de evitar o desastre, causado pelas chuvas que começaram na madrugada da última segunda.

O chefe do Indeci disse que é "muito difícil" encontrar sobreviventes porque, com o passar do tempo, "o lodo se solidifica por causa do calor", algo característico nesta região de encostas da selva do Peru.

Por isto, os esforços estão concentrados na busca de corpos e na distribuição de ajuda humanitária e atendimento médico aos mais de mil desabrigados e mesmo número de atingidos pelos desastres.

Hoje, um terceiro caminhão com 11 toneladas de alimentos e água deve chegar às áreas de San Ramón e Vitoc, que foram declaradas zonas de emergência pelo Governo central.

Ao mesmo tempo, será dada continuidade aos trabalhos de limpeza e prevenção de epidemias de dengue e malária, assim como de doenças estomacais e respiratórias.

Um alarme falso de que um lago teria transbordado deixou em pânico os moradores de San Ramón, um dos seis distritos de Chanchamayo e o mais atingido pela catástrofe.

O temor aumentou ainda mais por causa das previsões de que deve continuar chovendo entre hoje e domingo em Chanchamayo e em grande parte do território peruano.

Além disso, a situação fica mais difícil porque faltam espaços secos e seguros perto do local escolhido para abrigar as vítimas do desastre.

Palomino disse que o corte indiscriminado de florestas contribuiu para agravar o desastre causado pelas inundações e enchentes.

O chefe do Indeci advertiu que, caso esta atividade não tenha fim, "em um futuro próximo se lamentará novamente os mesmos prejuízos".

Opinião semelhante tem o representante do WWF-Peru (World Wildlife Fund - Peru), Juan Carlos Riveros, que disse à Efe que o corte indiscriminado na floresta central peruana, onde está localizada Chanchamayo, "é um elemento-chave para aumentar o risco e a vulnerabilidade" das povoações e das florestas.

O gerente de ciências para a conservação do WWF-Peru criticou "o modelo de desenvolvimento" do Governo peruano para a Amazônia e para as florestas, assim como a falta de "uma estratégia dinâmica de prevenção de desastres", apesar de existir um mapa que detalha as áreas de risco no país.

"Em uma escala maior, também deve ser recuperada a cobertura vegetal" e "prevenido o desmatamento das florestas", recomendou Riveros. O representante do WWF-Peru afirmou que as áreas do Sudeste Asiático que tinham mais árvores e mangues tiveram maior proteção durante o gigantesco tsunami de 2004.

O ambientalista ressaltou que o "Peru, do ponto de vista internacional, é muito favorável ao tema ambiental" e inclusive "participa de muitas reuniões", mas a questão preocupante é "como estes acordos internacionais se expressam dentro do país", disse Riveros.

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