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09/02/2007 - 19h04

ElBaradei recomenda redução de cooperação técnica ao Irã

Viena, 9 fev (EFE).- O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, recomendou que, dos 55 projetos técnicos de cooperação que a entidade desenvolve com o Irã, 22 sejam total ou parcialmente interrompidos.

A recomendação, feita através de um documento dirigido aos 35 membros do Conselho de Governadores da AIEA, ao qual a Efe teve acesso, deverá ser referendada na reunião de março. O texto inclui projetos ligados as atividades de enriquecimento e re-processamento de urânio, e os de água pesada.

Desta forma, a AIEA cumpre um dos pontos da resolução 1737, adotada pelo Conselho de Segurança da ONU em dezembro de 2006, no qual era exigido que avaliassem a manutenção da assistência técnica da AIEA, que deve ser mantida apenas em áreas destinadas à segurança nuclear e para fins médicos, humanitários e de alimentação.

No momento em que eram divulgadas, em Viena, as recomendações da AIEA para o fim de parte da cooperação técnica com o Irã, soube-se que a reunião, prevista para hoje, entre o conselheiro de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, e ElBaradei, tinha sido cancelada por iniciativa da parte iraniana.

Fontes da AIEA disseram não saber os motivos do cancelamento, mas afirmaram que eram causas "técnicas".

A resolução do Conselho de Segurança da ONU, adotada por unanimidade no dia 23 de dezembro, exige que Teerã suspenda de forma imediata as atividades de enriquecimento de urânio, e conceda um prazo de 60 dias para que a AIEA verifique se Teerã cumpriu as exigências.

Caso o Irã não cumpra o prazo imposto, o texto proíbe que os Estados-membros das Nações Unidas forneçam tecnologia que Teerã possa usar em seus programas nucleares. A exigência também se torna extensível para a AIEA.

Entre os projetos nos quais a colaboração é suspensa está a construção de um Centro de Tecnologia Nuclear, considerado uma das pedras angulares para o desenvolvimento da energia atômica no Irã.

No entanto, a suspensão da cooperação se estende não só ao setor tecnológico, mas também aos programas de formação de mão-de-obra qualificada para administrar o programa nuclear iraniano.

Estes são dois dos projetos nos quais a cooperação foi suspensa de forma total, enquanto em outros 12 casos trata-se de uma suspensão parcial, além de uma vigilância estrita por parte dos inspetores da AIEA.

A cooperação técnica será mantida na construção da usina nuclear iraniana em Busher, no sul do país, mas só nos pontos em que for garantido que a usina respeitará os padrões internacionais de segurança nuclear.

Na última reunião do seu Conselho de Governadores, a AIEA rejeitou uma solicitação do Irã, que pediu assistência técnica para garantir a segurança de um polêmico reator de água pesada. No passado, a ONU criticou o projeto por causa de seu possível uso militar.

As autoridades do Irã garantem que as atividades nucleares só têm fins pacíficos, enquanto EUA e Europa afirmam que o programa atômico de Teerã é uma fachada para desenvolver um arsenal nuclear.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse hoje que em breve seu país produzirá combustível nuclear em escala industrial, num claro desafio à resolução das Nações Unidas, que exige que o Irã abandone todas as atividades ligadas ao enriquecimento de urânio.

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