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01/03/2007 - 10h51

Partes em conflito na Uganda evitam retomar guerra, apesar de fim da trégua

Frank Nyakairu Campala, 1 mar (EFE) - A trégua entre o Exército e a guerrilha do norte da Uganda terminou hoje, mas os dois lados deixaram claro que, por enquanto, o recomeço dos confrontos não trará benefícios a ninguém.

O cessar-fogo estabelecido em 26 de agosto entre o Governo e o Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês) proporcionou à Uganda o mais longo período de paz desde que, há 20 anos, começou no norte do país uma das guerras mais sangrentas do continente africano.

Após o fim da trégua, que foi obtida graças à mediação do Governo autônomo do sul do Sudão, não existem indícios de novas negociações nem de que o Governo e os rebeldes se reunirão em um futuro próximo, mas também não houve discursos incitando os confrontos.

Os dois lados envolvidos parecem estar convencidos de que iniciar novamente os conflitos seria prejudicial às conquistas obtidas nos últimos meses. Atualmente, por exemplo, a região norte está mais calma do que nunca, com uma grande diminuição dos ataques, seqüestros e massacres.

O "número dois" do LRA, o comandante Vincent Otti, qualificou o acordo de "inútil e sem esperança".

"Por enquanto, pelo menos, parece que a única cláusula que foi cumprida é a de não atirarmos uns nos outros", acrescentou.

O ministro de Exteriores ugandense, Okello Oryem, afirmou que "os combates pararam e, agora, as pessoas estão voltando para casa", e "não querem mudar este processo".

Da mesma forma, os negociadores do LRA afirmaram que, devido à trégua, conseguiram "pôr fim ao sofrimento do povo Acholi" no norte de Uganda.

No entanto, as negociações de paz têm poucas chances de sucesso, pois uma das principais condições impostas pelos rebeldes era a retirada das ordens de busca e prisão emitidas pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra os líderes da guerrilha.

Os combatentes também pedem representatividade étnica na composição do Exército do país e nos órgãos públicos da Uganda. No entanto, o Executivo ugandense não aceitou nenhuma destas reivindicações.

Uma das razões que influenciaram a estagnação das negociações foi o papel do mediador, o Governo do sul do Sudão, acusado pela guerrilha de favorecer o Executivo ugandense.

Porém, o líder da oposição da Uganda, Morris Ogenga-Latigo, que durante algum tempo também participou das discussões de paz em Juba, no Sudão, atribuiu a situação atual ao "egoísmo dos negociadores do LRA".

"Os rebeldes usaram o processo de paz para seus próprios objetivos, apesar do sofrimento do povo no norte da Uganda", disse Latigo. Os guerrilheiros, no entanto, negam as acusações.

"Agora, o desafio é encontrar um terreno aceitável nas reivindicações das duas partes, fazê-las chegar a um acordo e recriar as condições para permitir que as milícias rebeldes sintam-se suficientemente seguras para se reunir", acrescentou Latigo.

Segundo observadores internacionais, os negociadores do LRA estão muito longe da realidade e, por isso, os líderes rebeldes estão sendo pressionados a voltar às conversas de paz.

Um dos negociadores, que não quis se identificar, acredita que as motivações dos dois lados são claras.

"O Governo quer acabar com a guerra antes da cúpula da Commonwealth que será realizada em Uganda em novembro, e o LRA quer usar o processo de paz para pressionar o TPI a retirar as acusações contra seus dirigentes", afirmou a fonte.

De acordo com o negociador, "embora tanto o Governo como o LRA tenham mostrado publicamente seu desinteresse em retomar as hostilidades, existe o temor de que fracassem e que isso os deixe sem opções".

Até agora, o conflito da Uganda matou milhares de pessoas e deixou quase 2 milhões de deslocados.

O LRA usa métodos brutais, como a amputação de membros de pessoas suspeitas de colaborar com o Governo e o recrutamento à força de mais de 10 mil menores como combatentes ou escravos sexuais. Além disso, a guerrilha implantou um regime de terror nas áreas que controla.

O líder máximo do grupo, Joseph Kony, e os quatro principais comandantes do LRA são procurados pelo TPI, que pretende processá-los por crimes de guerra e contra a humanidade.

Este processo, que foi instaurado no TPI em 25 de outubro de 2005, influenciou continuamente as conversas de paz, diante do temor dos dirigentes rebeldes de que possam ser presos e levados à sede do tribunal, em Haia.

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