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04/03/2007 - 15h12

Representante da ONU tenta salvar o processo de paz em Uganda

Frank Nyakairu Juba (Sudão), 4 mar (EFE) - O representante das Nações Unidas para o conflito do norte de Uganda, Joaquim Chissano, participou nos últimos dias de várias reuniões com altos representantes do país que geram a esperança de que o processo de paz na região possa ser retomado, disseram hoje fontes da ONU.

Chissano, ex-presidente de Moçambique, reuniu-se com os líderes máximos do Exército de Resistência do Senhor (LRA), responsáveis por conflitos armados no norte de Uganda há 20 anos, e com o presidente da vizinha República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila.

O encontro mais importante ocorreu na sexta-feira, quando Chissano reuniu-se com o líder do LRA, Joseph Kony, e seu braço direito, Vincent Otti, em uma região da fronteira entre a RDC e o Sudão, disseram as fontes.

O LRA atua na região que abrange o norte da Uganda, o nordeste da RDC e o sul do Sudão. A guerrilha é considerada um dos grupos rebeldes mais cruéis do continente por seus métodos de combate e pelo seqüestro de milhares de crianças que são utilizadas como soldados ou escravos sexuais.

As fontes da ONU, que não quiseram ser identificadas, disseram à Efe que Chissano se reuniu hoje na região fronteiriça com o presidente do Governo autônomo do sul do Sudão, Salva Kiir, e seu vice-presidente, Riek Machar.

O Governo do sul do Sudão atua como mediador entre o Governo de Uganda e o LRA nas negociações de paz, que começaram em 14 de julho na cidade e estão suspensas há semanas.

As conversas correm o risco de serem infrutíferas caso as partes não retornem à mesa de negociações. Há ainda o temor da volta dos confrontos, após o fim da trégua que estava em vigor até o final de fevereiro.

O objetivo da reunião entre Chissano e o presidente da RDC é desconhecido. Em seu encontro com Kabila, o representante da ONU foi acompanhado do chefe da equipe negociadora do LRA, Martin Ojul, e do publicitário ligado a este grupo Godfrey Ayo.

Após o encontro, Chissano foi em um helicóptero da ONU para um ponto da fronteira entre a RDC e o Sudão para se reunir "durante várias horas" com Kony e Otti, disseram as fontes.

No sábado, as conversas do enviado especial da ONU continuaram na cidade de Juba, no Sudão, onde se encontrou com representantes da etnia acholi, a majoritária no norte de Uganda.

David Acana, chefe supremo dos acholi, confirmou hoje à Efe que se reuniu com Chissano e que discutiu com ele "assuntos-chave para o processo de paz", mas evitou fornecer outros detalhes.

Acana lidera uma conferência que conta com a participação de vários representantes dos acholi e que procura ressuscitar o processo de paz no norte de Uganda para pôr fim a um conflito que já matou milhares e deixou um milhão e meio de refugiados.

As reuniões ocorrem quando ainda não está clara a mensagem do presidente sudanês, Omar al-Bashir, que ameaçou, em janeiro, "se desfazer do LRA no Sudão".

Para Chissano, o que o presidente sudanês quis deixar claro é que os representantes do LRA são bem-vindos no Sudão enquanto participarem das conversas para pôr fim ao conflito de Uganda. "Mas caso não participem do processo de paz, não há razão para que estejam no Sudão", acrescentou o enviado especial da ONU.

O LRA chegou a contar com importantes bases no sul do Sudão, mas a partir de uma forte ofensiva das tropas de Uganda no início desta década, que extravasou a fronteira sudanesa, os rebeldes foram movimentando suas bases em direção à RDC.

"A única saída é falar com todas as partes até que se chegue ao consenso", acrescentou o representante das Nações Unidas.

Chissano foi nomeado para a missão pelo então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em 4 de dezembro. A maior parte de suas reuniões são realizadas em segredo, como as da semana passada.

As conversas entre o LRA e o Governo de Uganda ficaram estagnadas após o grupo atender aos temores de segurança de seus combatentes depois de terem concordado com vários pontos com o objetivo de, posteriormente, se desarmar.

Também atrapalharam as negociações a busca e prisão dos máximos líderes do grupo rebelde a partir de um processo anunciado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para julgá-los por crimes de guerra e contra a humanidade.

Embora no dia 28 de fevereiro tenha terminado uma trégua entre as partes assinada em agosto, tanto os rebeldes como o Governo aceitaram continuar respeitando o acordo, apesar de não existir um documento que obrigue a isto.

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