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07/03/2007 - 17h29

Medidas de estímulo à economia podem agravar a crise da fome no Brasil

Brasília, 7 mar (EFE).- O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um conjunto de medidas que o Governo brasileiro anunciou no mês passado para estimular a economia, pode pôr em risco a alimentação das comunidades pobres do Brasil, alertou hoje o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Francisco Menezes.

"Se não for dada uma atenção especial à execução destes grandes projetos, a população mais vulnerável e frágil pode ser vítima de seus efeitos", declarou hoje Menezes em entrevista coletiva.

Segundo o presidente do Consea, "os impactos ambientais (do PAC)" são também "socioambientais", e poderiam ter "impacto negativo sobre a segurança alimentícia e nutricional da população".

O Consea discutiu hoje com representantes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) sobre os possíveis efeitos das obras do PAC no direito à alimentação no Brasil.

A coordenadora da Unidade para o Direito Humano à Alimentação da FAO, Bárbara Ekwall, disse que "o desenvolvimento das bioenergias tem impacto nas políticas agrícolas, comerciais e de segurança alimentícia".

Ekwall se referiu aos planos brasileiros para aumentar a produção de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, para oferecê-los ao mundo como alternativa ao petróleo.

Segundo a representante da FAO, a possibilidade preocupa a organização multilateral, que se propõe "a fazer um estudo em profundidade sobre o impacto das bioenergias sobre o direito à alimentação".

No entanto, o presidente do Consea também reconheceu que alguns aspectos do plano do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva para alavancar o crescimento do país também podem contribuir para a erradicação da fome.

"Um plano como este tem a possibilidade de aumentar a oferta de emprego. E no caso do Brasil, o direito humano à alimentação se vê comprometido pela falta de acesso da população à renda, por não dispor de trabalho", disse.

Por isso, para Menezes é possível minimizar os efeitos negativos da aplicação do plano de fomento de infra-estruturas.

"Temos expectativas de que, ao contrário das outras vezes, possamos enfrentar com clareza (os perigos do PAC), primeiro reconhecendo que impactos pode ter e depois atendendo plenamente às populações que podem sofrê-los", acrescentou.

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