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13/03/2007 - 17h13

Bush promete a Calderón que fará "tudo" possível por reforma migratória

Macarena Vidal Mérida (México), 13 mar (EFE).- Pela segunda vez em dois dias, agora no México, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pôde constatar a insatisfação na América Latina devido a sua política migratória, e prometeu que fará "tudo" possível para levar adiante uma reforma.

Bush está reunido hoje com o presidente mexicano, Felipe Calderón, na fazenda Temozón, a cerca de 30 quilômetros de Mérida (México), para repassar ao longo de três horas os temas da reforma migratória pendente nos EUA, da luta contra o narcotráfico e dos laços comerciais entre os países, entre outros.

Em cerimônia de recepção na fazenda, os líderes destacaram a importância de suas relações como vizinhos, mas mostraram divergências em assuntos como imigração e combate às drogas.

Calderón pediu, em breve discurso de boas-vindas, a "colaboração e a ativa participação" dos EUA na luta contra o narcotráfico.

O chefe da Casa Branca elogiou as iniciativas implementadas pelo atual Governo mexicano nesse campo, entre elas a recente extradição aos EUA de mais ou menos 15 importantes traficantes.

O líder mexicano também pediu que Bush desse mais atenção à política em relação ao México, e lembrou as promessas do presidente americano em 2001, de que faria da política em relação à América Latina - e ao México, precisamente - uma de suas prioridades.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 mudaram a agenda de Washington, lembrou o governante mexicano, que destacou que "chegou o momento de recuperar o espírito daquelas palavras e dirigir a relação dos dois países a um caminho de mútua prosperidade".

A imigração ocupou a maior parte do discurso dos presidentes, que encontraram-se na quinta e última etapa da viagem de Bush pela América Latina, iniciada na quinta-feira no Brasil e passando por Uruguai, Colômbia e Guatemala.

"Devemos resolver o problema juntos, porque, embora as duas economias se complementem, ainda não são iguais", disse o líder mexicano, que assumiu o poder em 1º de dezembro.

Calderón afirmou que "a migração não pode ser detida", muito menos "por decreto", e disse que o México prefere receber "investimentos onde estão os trabalhadores", em vez de os mexicanos irem para onde está o capital.

"Podemos deter melhor a imigração construindo um quilômetro de estrada em Michoacán ou Zacatecas, do que com dez quilômetros de muro na fronteira", disse, em alusão ao muro que os EUA estão construindo na fronteira com o México.

No entanto, o líder mexicano disse que seu país "respeita o direito dos americanos e de seu Governo de decidir dentro de seu território o que mais convém para sua segurança".

Bush afirmou que fará "tudo possível" para conseguir uma reforma migratória completa no Congresso dos EUA.

O presidente americano disse que seu país aplicará "o mandato da lei" na hora de atuar contra a imigração ilegal, mas afirmou que também lembrará seus cidadãos de que "os valores familiares não acabam na fronteira".

Bush apóia uma reforma migratória que inclua um programa de trabalhadores temporários e permita a regularização de grande parte dos 12 milhões de imigrantes ilegais - na maioria mexicanos - que vivem nos EUA, segundo cálculos.

Outras críticas já tinham sido feitas por países latino-americanos em relação à política migratória dos Estados Unidos.

Na segunda-feira, na Guatemala, o presidente Óscar Berger lamentou as deportações de imigrantes ilegais, o que, em algumas ocasiões, dividem as famílias afetadas.

Bush e Calderón também discutirão as relações comerciais entre ambos os países.

"A melhor maneira para permitir que o povo saia da pobreza é expandir o comércio", afirmou Bush, que acrescentou que, através do comércio, é possível "progredir na paz e na prosperidade para todos".

O encontro entre os dois líderes continuará hoje com um almoço social, no qual também estarão presentes suas esposas, Laura Bush e Margarita Zavala.

Os dois casais visitarão depois as ruínas de Uxmal, uma das cidades maias mais famosas. O dia terminará com um jantar na fazenda Xcanatún, e amanhã concederá uma entrevista coletiva com Calderón, antes do retorno a Washington.

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