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20/03/2007 - 13h52

Gabeira admite caminho "bloqueado" para lutar contra extradição de Battisti

Brasília, 20 mar (EFE).- A extradição do ex-ativista Cesare Battisti seguirá por "estritos caminhos jurídicos", pois um possível apoio político aos que tentam impedir que ele seja entregue à Itália está "totalmente bloqueado", disse hoje o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ).

Gabeira, que desde a detenção do ex-extremista de esquerda italiano no Rio de Janeiro tem tentado articular um movimento político em favor dele, admitiu, em declarações à agência Efe, que não encontrou clima para isso.

O deputado, ele próprio ex-guerrilheiro, explicou que conversou com líderes de diferentes partidos com a intenção de formar um grupo político para se opor à extradição de Battisti, mas disse que "os caminhos para isso estão totalmente bloqueados", em parte devido ao "desconhecimento" existente sobre o caso.

Cesare Battisti foi membro dos Proletários Armados pelo Comunismo, grupo ligado às Brigadas Vermelhas e responsabilizado por diversos atentados.

Foi detido no domingo passado no Rio de Janeiro em uma operação que teve a participação de autoridades brasileiras, francesas e italianas.

Em 1993, foi julgado à revelia e condenado a prisão perpétua como suposto autor dos assassinatos de Antonio Santoro, Lino Sabbadin, Andrea Campagna e Pierluigi Torregiani. Sempre negou sua responsabilidade nesses crimes.

Battisti, de 52 anos, viveu na França entre 1990 e 2004, quando perdeu direito a sua condição de asilado político. Estava em paradeiro desconhecido desde então, até ser detido no Rio de Janeiro.

Como em 2004 foi aprovada sua extradição à Itália, o ex-ativista também enfrenta uma ordem de captura internacional ditada pelo Tribunal de Apelação de Paris. No entanto, a França já disse que a prioridade sobre sua extradição é da Itália.

A detenção de Battisti teve grande repercussão na França. Grupos de esquerda criticaram o ministro do Interior e candidato à Presidência, Nicolas Sarkozy, depois que este confirmou que seus funcionários obtiveram e forneceram a outras Polícias informações sobre o paradeiro do italiano.

Segundo o Ministério da Justiça do Brasil, a Itália tem quarenta dias a partir do momento da detenção para formalizar o pedido de extradição, que depois será examinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Gabeira disse à agência Efe que existem antecedentes de casos similares, relativos a outros extremistas italianos, nos quais o STF, por diferentes motivos, negou a extradição.

Entre esses casos está o do sociólogo Pietro Mancini, que mora no Brasil e aderiu ao "comitê de defesa" de Battisti.

Mancini era membro do grupo italiano Autonomia Operária e foi detido em 2005, também no Rio de Janeiro, devido a uma sentença de 20 anos de prisão em seu país.

A extradição foi rejeitada pelo STF, que baseou sua decisão na "falta de uma definição precisa" na lei brasileira sobre delitos de terrorismo.

O Supremo também rejeitou as extrações de Achille Lollo, em 1993, e de Luciano Pessina, em 1997. Ambos eram membros das Brigadas Vermelhas, organização de extrema esquerda responsável por, entre outros crimes, o seqüestro e assassinato do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro.

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