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28/03/2007 - 12h32

Reino Unido quer que América Latina seja aliada eficaz para grandes desafios

Joaquín Rábago Londres, 28 mar (EFE) - O Reino Unido deseja uma América Latina mais integrada economicamente, capaz de se tornar uma aliada eficaz para enfrentar grandes desafios globais como a mudança climática, o narcotráfico e os crimes transfronteiriços.

As afirmações foram feitas hoje em Londres pelo secretário de Estado para a América Latina do Foreign Office, lorde Triesman, ao apresentar um "documento de estratégia" do Governo britânico para a região até 2020, em um ato que contou com a participação de diplomatas latino-americanos, parlamentares e especialistas.

O estudo ressalta as conquistas da América Latina, entre elas um crescimento econômico médio de 4% entre 2003 e 2006, a ausência de crises regionais como as verificadas nos anos 80 e 90 e de graves crises nacionais como a argentina, a redução da pobreza, a ampliação da democracia, "com exceção de Cuba", e o maior respeito aos direitos humanos.

A região também tem uma crescente e construtiva participação internacional, como é demonstrado pela colaboração de Uruguai, Brasil, Argentina, Peru e Chile em operações de manutenção da paz.

Porém, o documento entra em terreno espinhoso ao mencionar algumas "causas de preocupação", como a "má qualidade de gestão", evidente "tanto na administração central como nos degraus inferiores", o que contribui para a falta de segurança, para o aumento da criminalidade e para a corrupção.

"A corrupção continua sendo endêmica, com poucas exceções, como Chile e Uruguai, e pode tornar miserável a vida de milhões de latino-americanos, frustrar a atividade empresarial e criar obstáculos aos esforços de reforma política, econômica e social", acrescenta o relatório.

A competitividade econômica também deixa muito a desejar e o crescimento do PIB é sustentado por poucos setores, principalmente a exportação de matérias-primas, e é vulnerável a qualquer desaceleração da economia global.

Os investidores estrangeiros se vêem dissuadidos pela "inadequada e pouco confiável proteção legal, a corrupção e os excessos burocráticos: no Brasil, uma empresa pode demorar 152 dias para obter o registro".

O documento defende uma maior cooperação regional, que evitaria que a América Latina perdesse as oportunidades de ampliar seu comércio e reforçar sua voz no mundo, e lamenta que o comércio entre os países da região seja menos importante que com outras partes do mundo.

Focando em 2020, Londres traçou vários cenários: o primeiro envolveria a continuidade da tendência atual, com conquistas como um crescimento econômico semelhante ou superior à de outras economias em desenvolvimento, o aprofundamento da democracia, uma maior transparência e a substituição dos cultivos de coca.

No segundo, menos favorável, a América Latina retrocederia em alguns campos, os problemas sociais e econômicos não seriam resolvidos, e a democracia constitucional seria substituída pelas autocracias e por Governos populistas.

Se isto ocorrer, poderiam surgir duas Américas Latinas, uma representada pelas economias mais bem-sucedidas de hoje, e outra formada por países não construídos sobre a base destas conquistas, com maiores índices de pobreza e instituições políticas ineficazes, o que seria "uma fonte potencial de instabilidade".

Uma terceira situação de risco seria que, quando a América Latina superar relativamente seus problemas atuais, enfrentaria a concorrência de outras regiões mais competitivas, menos dependentes de matérias-primas e mais atraentes para o investidor estrangeiro.

Para o Reino Unido, segundo o relatório, é interessante apoiar a agenda reformista do continente usando diferentes recursos para ajudar os Governos a implementar suas políticas, focando nas necessidades particulares e investindo em formação e instituições com efeito multiplicador.

Um importante campo de cooperação é a luta contra o narcotráfico, para a qual deve-se "incentivar os latino-americanos a aprovar leis contra a criminalidade e a lavagem de dinheiro" e oferecer aos "cocaleiros" formas de cultivos alternativos.

Outro assunto abordado no trabalho é a "transparência na indústria extrativa", que sofre denúncias de cumplicidade no "incentivo à corrupção e ao desperdício dos ativos nacionais".

O documento ressalta ainda a colaboração entre o Reino Unido e os países latino-americanos nos fóruns internacionais, nas operações de manutenção da paz, e demonstra o interesse britânico de ampliar o comércio, sobretudo com México e Brasil.

Mas o relatório não deixa de lado a Venezuela, o terceiro maior mercado da região para o Reino Unido, a Argentina, no quarto lugar e membro do Mercosul, ou Chile, país do qual o Reino Unido é o quarto maior investidor, atrás dos Estados Unidos, da Espanha e do Canadá.

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