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04/04/2007 - 09h39

ONG defende a prevenção para combater o tráfico de crianças na China

Paloma Caballero Pequim, 4 abr (EFE).- A prevenção é o único método para combater o tráfico de crianças na China, que atinge principalmente os menores das zonas rurais mais pobres e filhos de trabalhadores imigrantes, afirmou hoje a ONG "Save the Children".

A organização, que trabalha na China desde a guerra com o Japão, pediu hoje que as autoridades mudem de atitude e parem de combater o tráfico humano apenas como crime - registrando o número de casos a resolver, de 2.500 até 2006 -, e passem a conscientizar a sociedade.

Segundo a ONG, a participação das comunidades locais nos projetos desenvolvidos na China é fundamental para que, por exemplo, não seja considerado normal nas zonas mais pobres deixar as crianças aos cuidados de pessoas frágeis como os avôs, enquanto os pais trabalham.

Também são vulneráveis as crianças que emigram com seus pais, pois chegam a um ambiente desconhecido, com serviços sociais muito limitados e pais sempre trabalhando.

"O risco de tráfico de crianças aumentou com a migração interna, e tudo indica que o fenômeno pode aumentar nas próximas décadas", afirmou hoje Kate Wedgwood, diretora para China e Coréia do Norte da organização britânica.

Cerca de 200 milhões de pessoas saíram do campo para as cidades chinesas nos últimos anos, em virtude do crescimento econômico e em busca de trabalho, principalmente na construção civil.

Segundo os especialistas, o número de pessoas que vão para as áreas urbanas deverá continuar na ordem das centenas de milhões nos próximos 20 anos.

Os menores que ficam nos povoados aos cuidados de parentes correm o risco de serem levados por grupos criminosos de tráfico infantil, que os utilizam como mendigos e para pequenos furtos nas cidades ou, no caso das meninas, para a exploração sexual em países vizinhos no Sudeste Asiático.

Além disso, a imprensa chinesa divulgou alguns casos de crianças roubadas que acabam em orfanatos - que recebem recursos de acordo com o número de acolhidos - e entregues à adoção.

A "Save the Children", que promove os direitos da infância de acordo com a Convenção dos Direitos da Criança da ONU, não descarta a ligação do tráfico com a demanda de casais chineses sem filhos ou com apenas um, para ajuda no campo e cuidados.

As crianças mais pobres e de minorias étnicas são as que correm mais perigo, por não saberem se comunicar em mandarim, mas apenas em dialetos, além de não conhecerem seus direitos.

"É muito importante que as crianças saibam se proteger, e o que devem e não devem fazer", afirmou Wedgwood.

A organização quer que a China redefina o que considera tráfico humano, e que inclua no de crianças o caso dos menores de 18 anos cedidos aa trabalho para pagar dívidas dos pais.

Pequim considera vítimas de tráfico infantil apenas os menores de 14 anos seqüestrados ou vendidos.

Segundo a "Save the Children", o relatório de 2005 do Governo chinês ao Comitê de Direitos da Criança em Genebra, que representa os princípios adotados pela Convenção de 1991, contabiliza apenas os resgatados.

Em dezembro de 2004, 14 pais tinham solicitado ao Governo de Pequim o combate ao tráfico de crianças, principalmente nas províncias do sul como Cantão, onde as crianças eram vendidas a preços que oscilavam entre ? 1.000 e ? 2.000.

Mas, se as crianças do campo e de minorias éticas correm o risco de serem vendidos ou forçados a se transformar em mendigos, trombadinhas ou explorados sexualmente, existe também um mercado de meninas e jovens mulheres destinadas ao sexo e a casamentos forçados.

Em dezembro de 2007, será realizada em Pequim a segunda conferência ministerial da Iniciativa do Mekong, da qual também participam Camboja, Laos, Mianmar, Vietnã, Tailândia e Vietnã, que deve estabelecer um plano de ação contra o tráfico humano por suas fronteiras.

A "Save the Children" apóia as repatriações dos seqüestrados, disse a diretora da organização na China, mas não intervém nos resgates, cerca de 25 mil dos 28 mil registrados entre 2001 e 2005, segundo o Departamento de Segurança Pública.

A organização destacou a importância de seu trabalho em colaboração com a Liga da Juventude Chinesa para registrar os menores abandonados ou com pais emigrantes, educar os menores e acompanhar seu desenvolvimento, mas também por uma maior conscientização sobre a denúncia de desaparecimentos.

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