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18/04/2007 - 23h30

Carta de universitário assassino consterna os EUA

Orlando Lizama Washington, 18 abr (EFE).- A sociedade dos Estados Unidos ficou chocada hoje pela notícia de que o assassino da universidade Virginia Tech se deu ao trabalho de explicar pelo correio as razões que o levaram a matar 32 pessoas e cometer suicídio, na segunda-feira.

Cho Seung-Hui, um estudante sul-coreano de 23 anos, matou duas pessoas no dormitório da universidade na segunda-feira e duas horas depois baleou outras 30 num edifício de salas de aula.

Entre os dois incidentes, ele passou numa agência de correio da localidade de Blacksburg e enviou um pacote à rede "NBC" com fotos e vídeos em que aparecia armado e um manifesto relatando seu ódio pelas autoridades universitárias e pela sociedade americana.

As imagens divulgadas pela internet e pela televisão aprofundaram o impacto do massacre, o mais grave deste tipo na história dos EUA "Houve bilhões de oportunidades e formas de evitar isto", disse Cho.

"Decidiram derramar meu sangue. Fui encurralado e me deixaram uma só opção. A decisão foi de vocês. Agora têm sangue nas mãos que nunca poderão lavar", acrescentou.

Cho, cujo comportamento tinha levantado suspeitas entre os membros da universidade há mais de um ano, enviou à rede de televisão 43 fotografias. Em 11 delas se exibe com armas, em outras sorri, faz gestos agressivos ou aponta uma arma para a cabeça.

Em suas palavras, sugere ter sido vítima de chacota.

"Vandalizaram meu coração, violaram minha alma e queimaram minha consciência. Pensaram que era a vida de um rapaz patético que estavam extinguindo. Morro como Jesus Cristo, para inspirar gerações de fracos e indefesos", explicou.

Cho também se refere a "mártires como Erick e Dylan", os dois estudantes (Eric Harris e Dylan Klebold) que em 20 de abril de 1999 entraram com armas na sua escola em Columbine (Colorado) e mataram 12 estudantes e um professor antes de se matarem.

Até então, o caso de Columbine tinha sido o pior massacre escolar na história do país.

O pacote confirma as hipóteses policiais de que Cho atuou sozinho, já que ele explicou suas motivações e esclareceu um dos mistérios que as autoridades não conseguiam resolver: onde estava ele entre os dois tiroteios.

Segundo a "NBC", Cho enviou o pacote para entrega no dia seguinte. Mas ele só foi recebido hoje, devido a um erro no código postal da rede de televisão.

A mesma universidade viveu hoje um novo dia de medo. A Polícia entrou nos escritórios do reitor após uma situação que, em princípio, pareceu ameaçadora. Segundo as autoridades, pela manhã surgiu uma denúncia de atividades suspeitas que acabou se revelando um alarme falso.

No Colégio de Direito Hastings da Universidade da Califórnia, centenas de estudantes foram retirados depois de uma ameaça através de internet. Segundo fontes acadêmicas, foi uma piada de mau gosto.

Além disso, oito edifícios da Universidade de Minnesota foram evacuados após uma ameaça de bomba que também obrigou a cancelar as atividades do dia.

Em Columbia (Missouri), duas escolas foram fechadas após um tiroteio entre os ocupantes de dois automóveis.

A imprensa de Los Angeles (Califórnia) disse que na escola secundária de Murrieta, a 70 quilômetros da cidade, as paredes apareceram pintadas com ameaças de morte para os alunos na sexta-feira, dia do oitavo aniversário do massacre de Columbine.

Na Universidade de San Diego (Califórnia), a Polícia entrou em alerta após receber ameaças de um massacre semelhante ao da universidade Virginia Tech.

Segundo a imprensa, houve ameaças também na região de Denver (Colorado) e na localidade de Lawrenceville (Nova Jersey), onde estudante foi detido após aparecer numa janela mostrando o que parecia ser uma arma de fogo.

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