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23/04/2007 - 16h55

Morre Boris Yeltsin, o homem que deu o golpe final no comunismo

Miguel Bas Moscou, 23 abr (EFE).- Boris Yeltsin, o homem que deu o golpe final no comunismo, acabou com a União Soviética (URSS) e abriu uma nova etapa nas relações internacionais, morreu nesta segunda-feira em Moscou aos 76 anos, devido a uma parada cardíaca repentina.

O primeiro a expressar suas condolências foi seu opositor, Mikhail Gorbachov, que o ergueu ao mais alto ponto do poder soviético, o Politburo, e depois o desbancou, catapultando-o assim à fama e à glória.

"Ele teve um destino trágico. Depois dele, o país teve grandes sucessos, mas também graves erros", declarou Gorbachov, primeiro e último presidente da URSS.

"Yeltsin morreu às 15h45 (8h45 de Brasília) no Hospital Clínico Central de Moscou devido a uma insuficiência cardiovascular multiorgânica progressiva", segundo explicou Serguei Mironov, chefe do Centro Médico do gabinete da Presidência russa.

Seu coração já tinha apresentado problemas e pouco depois de ser reeleito presidente da Rússia, em julho de 1996, foi submetido a uma operação para que fossem colcoadas cinco pontes de safena.

Três anos depois, surpreendeu todo o país ao anunciar que estava abandonando seu cargo antes do tempo e propôs como sucessor o atual presidente russo, Vladimir Putin.

Filho e neto de kulaks, prósperos camponeses desapropriados pelo comunismo, Yeltsin nasceu em 1º de fevereiro de 1931 no povoado de Butka, Sverdlovsk, nos Montes Urais, para onde a família fugiu das repressões.

Ali, em Sverdlovsk, atual Ekaterinburgo, onde foram fuzilados o czar Nicolau II e sua família em 1918, trabalhou como operário, estudou engenharia civil e ingressou no Partido Comunista, único caminho então para o ponto mais alto do poder.

Esse período ficou marcado pela sua decisão e intransigência, e também pela luta contra qualquer dissidência e pela destruição da casa Ipatiev, em cujos porões foi assassinada a família real, ordem que depois confessou lamentar profundamente.

A perestroika, impulsionada por Mikhail Gorbachov, requeria novos dirigentes, jovens e enérgicos como Yeltsin, que foi levado para Moscou e fez uma fulminante carreira.

Em apenas dois anos, foi responsável pela formação do Partido em Moscou, além de ter sido seu chefe. Foi também secretário do Comitê Central e membro do onipotente Politburo.

Mas seu comportamento era diferente dos dirigentes anteriores: Yeltsin andava de metrô, entrava em filas, dizia o que pensava e denunciava aos quatro ventos a corrupção e os privilégios da "nomenclatura".

No final, em novembro de 1987, Gorbachov optou por se desfazer dele para acalmar pelo menos um pouco os setores conservadores, cuja resistência crescia à medida que avançavam as reformas.

Em outros tempos, tal queda era o fim da carreira política. O próprio Yeltsin se desesperou e em 1989 chegou a pedir sua "reabilitação política" no congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS).

Mas tudo tinha mudado. O amor do povo já pesava mais que a desgraça do Kremlin e foi Yeltsin o primeiro a entendê-lo: apenas alguns meses depois, renunciou publicamente à militância no Partido Comunista.

A partir de então, sua escalada ao poder não parou mais. Em 26 de março de 1989, para desgosto das autoridades, foi eleito deputado nas primeiras eleições "minimamente" democráticas, em 29 de maio chegou à Presidência do Parlamento e em 12 de junho de 1991 se tornou no primeiro presidente da Rússia eleito por voto universal.

Seu maior teste e seu momento de glória chegaram na madrugada de 19 de agosto, quando a cúpula comunista isolou Gorbachov na Criméia, colocou os tanques na rua e usurpou o poder como Comitê Estatal de Situação de Emergência.

Yeltsin não exitou, conclamou a desobediência e a resistência, contrapondo o Exército a milhares de civis, decididos a defender a liberdade mesmo que tivessem que pagar com suas vidas.

Dois dias depois o golpe fracassou e Gorbachov voltou a Moscou, sem entender ainda que o país tinha mudado: Yeltsin não duvidou em demonstrá-lo e em 23 de agosto assinou a dissolução do PCUS.

Depois, foi ele também que deu o golpe de misericórdia na URSS, ao carimbar em Belovezh sua dissolução, que Gorbachov se viu obrigado a aceitar e a renunciar em 24 de dezembro de 1991.

Mas seu caminho, junto com algumas de suas aparições cômicas e lembranças, foi semeado de erros, como as polêmicas reformas econômicas que permitiram que haja mais multimilionários hoje na Rússia do que nos Estados Unidos e mais pobres do que em toda a Europa.

Também foi o mentor de uma duvidosa reforma estatal, quando fez um chamado para que as regiões autônomas "assumissem tanta soberania quanto fossem capaz de suportar", colocando em perigo a existência da Rússia.

Outro momento crítico foi a dissolução a tiros de canhão do Parlamento em 1993, que acabou com a última resistência comunista, mas também com as ilusões de um pronta democracia para a Rússia.

Além disso, iniciou a primeira guerra com a Chechênia, em dezembro de 1994, na qual seu Exército foi derrotado em 1996 e pela qual pediu desculpas ao país após entregar o poder em 31 de dezembro de 1999 a seu sucessor, Vladimir Putin.

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