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08/05/2007 - 13h04

Arcebispo de Aparecida destaca desafios da globalização e fuga de fiéis

Ana Gerez Rio de Janeiro, 8 mai (EFE).- Dar mais espaço aos laicos é uma das medidas defendidas pelo arcebispo de Aparecida (SP), Raymundo Damasceno Assis, que considera a globalização e a fuga de fiéis para outras religiões parte dos desafios da Igreja Católica na América Latina.

O arcebispo, que será o anfitrião do Papa Bento XVI durante a visita que o Pontífice fará ao Brasil de 9 a 13 de maio, ressaltou em entrevista à Efe que a igreja precisa "ir às pessoas, e não esperar que elas venham" aos templos, para conter a perda de fiéis constatada nas últimas décadas na região.

Após afirmar que a redução do número de católicos "é um fenômeno que deve ser avaliado por nossa pastoral", o arcebispo indicou a importância de "compreender o conceito de evangelização" e "aprofundar a fé dos batizados".

Vivemos em um "mundo urbano, com muitas propostas de vida", disse, acrescentando que, sem uma fé profunda, os católicos podem ser facilmente "tocados por pregações de outras igrejas".

Na sua opinião, para combater o "proselitismo religioso, às vezes agressivo", na região, é necessária "uma maior coerência entre fé e vida" e maior aproximação aos fiéis, em vez de fazer "uma pastoral de manutenção".

O arcebispo defendeu ir ao encontro dos que se afastaram ou não conhecem os postulados da Igreja, e criar "uma rede de comunidades", principalmente nas periferias de grandes cidades, já que "a fé não é vivida de forma isolada".

Assis ressaltou também a necessidade de "ampliar a participação dos laicos" e confiar serviços a eles, "formá-los e despertar a consciência de que todos somos responsáveis por anunciar o evangelho".

Segundo o clérigo, a Igreja Católica latino-americana enfrenta desafios novos, como a globalização, que, apesar de ser positiva na medida em que o mundo torna-se menor e ajuda no processo de desenvolvimento, também pode acentuar as diferenças sociais entre os países e dentro dos mesmos.

Entre os desafios, destacou também a "crise da família como base da sociedade" e o fenômeno já antigo da pobreza.

Sobre a visita do Papa Bento XVI ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo comentou que "é sinal" de que o Pontífice "dá valor especial à Igreja do Brasil e da América Latina", onde estão "praticamente a metade dos católicos do mundo".

O Papa, que inaugurará em 13 de maio, em Aparecida, a 5ª Conferência Geral do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), "escolheu manter a forma tradicional de realizar estas conferências", que surgiram em 1955 e que são "algo muito peculiar da Igreja da América Latina", já que não existem em outros continentes.

Assis, que tem 70 anos e há três é arcebispo de Aparecida, considera que o futuro da Igreja depende do trabalho a ser feito no continente, um trabalho que a Celam ajudará a definir.

Sobre a situação atual da Teologia da Libertação - corrente teológica à qual Bento XVI se opôs firmemente quando era chefe da Congregação para a Doutrina da Fé -, o arcebispo disse que "não há mais pessoas buscando a transformação social por vias revolucionárias".

"O que a Teologia da Libertação fez de bom foi incorporado ao ensino social da Igreja", disse sobre a tendência católica silenciada pelo Vaticano desde a época de João Paulo II.

"A preocupação pela pessoa humana, os problemas da pobreza, da injustiça, da miséria, o compromisso de transformação a uma sociedade mais justa e solidária", tudo isso "se mantém", e é "válido que continuemos lutando por isso", acrescentou.

Segundo o arcebispo, a conferência da Celam "não vai esquecer ou fechar os olhos para a realidade da América Latina e do povo latino-americano".

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