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09/05/2007 - 12h00

Chirac se despede do Governo enquanto Sarkozy rebate críticas a cruzeiro

Paris, 9 mai (EFE).- O presidente em fim de mandato da França, Jacques Chirac, presidiu hoje sua última reunião ministerial, a uma semana de deixar o Palácio do Eliseu para a entrada de seu sucessor, Nicolas Sarkozy, que por sua vez rebateu críticas ao luxuoso cruzeiro que fez pelo Mediterrâneo.

A polêmica desviou a atenção da última reunião governamental de Chirac, de 74 anos e há 12 na Presidência, que no dia 16 encerra sua trajetória política após quatro décadas.

Enquanto o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, fiel seguidor de Chirac, afirmava que "todos os franceses sentirão saudades" do atual presidente, um Sarkozy desafiador rebatia em Malta as críticas feitas principalmente - mas não só - pela esquerda ao seu passeio no luxuoso iate de um empresário.

Com 52 anos e um estilo muito diferente de Chirac, o conservador Sarkozy respondeu à polêmica sobre suas breves férias anteriores à posse. Disse que não pensa "em se esconder, mentir ou se eximir" e que sua viagem não custou "um centavo" dos contribuintes, e defendeu o fato de ter aceitado o convite do multimilionário Vincent Bolloré.

No dia seguinte à vitória sobre a socialista Ségolène Royal, Sarkozy viajou com sua família para Malta em um avião particular de Bolloré antes de embarcar no iate.

"Há 20 anos ele me convida e há 20 anos eu recusava", disse.

Sarkozy ainda desejou que a economia francesa tivesse "muitos Vincent Bolloré" e afirmou que o empresário nunca trabalhou para o Estado.

O próprio Bolloré, dono de uma das maiores fortunas do país, afirmou que Sarkozy é seu convidado e disse estar honrado por ele tenha aceitado o convite. Segundo o milionário, esta é uma tradição na família - depois da Segunda Guerra Mundial, os Bolloré receberam o socialista Léon Blum ao voltar do exílio.

Na véspera, dirigentes de esquerda denunciaram as "férias de multimilionário" e de "lazer patrocinado" do presidente eleito, e questionaram se seria "a República que pagaria a conta".

Criticaram a "ostentação luxuosa" de Sarkozy, "uma forma de arrogância e até de insulto", inadequada, segundo eles, para um futuro chefe de Estado que fez campanha como "candidato do povo" e defensor da "França que acorda cedo". No entanto, durante a campanha, o presidente eleito defendeu a "ruptura" com a forma de fazer política nos últimos 25 anos.

Embora Sarkozy tenha rejeitado a polêmica gerada por seus dois dias de descanso no Mediterrâneo, o fato é que ele antecipará para hoje seu retorno a Paris e assistirá amanhã a um ato comemorativo pelo aniversário da abolição da escravidão promovido por Chirac.

Será a primeira vez que os dois dividem o palco desde o fim das eleições.

Na última reunião ministerial de seu mandato, Chirac expressou "plena confiança" em Sarkozy para permitir que a França colha novos sucessos na coesão, na unidade e no respeito". O presidente desejou sorte ao sucessor, segundo o porta-voz do Governo, Jean-François Copé.

Na última reunião com os membros do gabinete - convidados para almoçar no Palácio do Eliseu -, o presidente agradeceu pelo trabalho cumprido e disse que eles podem ficar "orgulhosos de sua ação a serviço da França".

Destacou a redução do desemprego ao seu nível mais baixo em 25 anos, a diminuição da delinqüência e a preservação do modelo social francês com as reformas da previdência social.

A seu fiel Villepin, ex-rival de Sarkozy, Chirac disse que, graças a seu compromisso e talento, a França é respeitada na Europa e no mundo.

Villepin deverá entregar a demissão de seu gabinete a Chirac pouco antes da passagem da faixa para Sarkozy. O primeiro-ministro prestou uma sensível homenagem a seu mentor.

"Eu disse pessoalmente a ele o quanto sentirei saudades, o quanto todos sentiremos e o quanto, acho, todos os franceses sentirão", afirmou, no pátio do Palácio do Eliseu.

Para Villepin, Chirac soube assumir o cargo "com o espírito de humanidade, fraternidade e dignidade do qual todos nos orgulhamos, permitindo que a França entrasse com força no novo milênio" e assumisse a modernização em um momento difícil.

A última reunião ministerial de Chirac foi um momento "especialmente emocionante, caloroso e digno", segundo os ministros, vários dos quais já se vêem no futuro gabinete de Sarkozy.

Como presente de despedida, foi entregue a Chirac um quadro de um pintor franco-chinês que simboliza os laços entre Oriente e Ocidente.

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