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04/06/2007 - 15h46

Sucessor de Khomeini rejeita democracia ocidental e confirma plano nuclear

Teerã, 4 jun (EFE).- O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou hoje que o país não renunciará a seu plano nuclear, e prefere a "democracia religiosa" à ocidental, confirmando assim sua lealdade ao fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, 18 anos após sua morte.

"Não se deve suplicar o direito às potências que querem ter a hegemonia sobre os povos, mas conquistar esses direitos com insistência", disse Khamenei em discurso por ocasião do aniversário da morte de Khomeini.

"O povo iraniano conseguiu sua autodeterminação, e agora tem que conseguir seu direito nuclear sem implorar a ninguém", acrescentou o líder máximo iraniano em meio a aplausos dos milhares de iranianos presentes, que gritavam "a tecnologia nuclear é nosso direito".

A declaração acontece logo antes da cúpula do G8 (sete países mais industrializados mais a Rússia), entre quarta e sexta-feira em Heiligendamm (Alemanha), que deve discutir a polêmica das atividades atômicas do Irã.

A comunidade internacional exige que o país suspenda o enriquecimento de urânio. Várias potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, suspeitam que o plano nuclear iraniano tenha fins militares, o que Teerã nega, assegurando que é pacífico.

O sucessor de Khomeini e líder supremo do Irã pediu aos iranianos que não dêem passos para trás em relação a "seus avanços na ciência e na tecnologia", já que "as potências arrogantes se mostram mais ameaçadoras se um povo demonstra flexibilidade no trato com eles".

Khamenei também criticou o modelo da democracia ocidental e comentou que ela "fracassou".

"Os iranianos rejeitam a democracia baseada nos princípios do Ocidente e querem a democracia religiosa", disse.

Por outro lado, acusou os "inimigos" de tentar provocar um conflito sectário entre os muçulmanos, como o que ocorre há mais de um ano entre sunitas e xiitas no vizinho Iraque.

Além disso, incentivou os países e grupos islâmicos, "qualquer que seja sua tendência" religiosa ou étnica a unirem-se "para enfrentar os inimigos da nação".

Segundo a imprensa local, centenas de milhares de pessoas de diversas províncias do país participaram da comemoração do aniversário da morte de Khomeini.

A cerimônia principal aconteceu no mausoléu de Khomeini, um edifício quadrado e dourado com uma cúpula no centro e quatro minaretes em cada canto, perto do cemitério de Behest-e Zahra (zona sul de Teerã), para onde também foram "convidados estrangeiros".

A cerimônia começou com uma manifestação de luto dos "peregrinos" que entraram no mausoléu cantando o nome do Imame Hussein, neto do profeta Maomé e filho do quarto califa muçulmano, Imame Ali, uma das figuras islâmicas mais respeitadas pela comunidade xiita.

Os iranianos participantes entraram no mausoléu batendo na cabeça e no peito em sinal de luto, como costumam fazer os xiitas nas cerimônias relacionadas ao aniversário da violenta morte do Imame Hussein, no século VII.

Além disso, na maioria vestiam preto, com exceção de alguns participantes que usavam um "kafan", espécie de mortalha para os enterros islâmicos.

Filho de uma família religiosa, Khomeini nasceu em 1902 e foi criado na aldeia de Khomein, ao sul de Teerã. Aos 18 anos, começou uma carreira religiosa xiita até obter, em 1961, o titulo de aiatolá, o que para os xiitas significa ser um teólogo dotado de autoridade moral infalível.

Foi expulso em 1962 por sua oposição ao Xá Mohamad Reza Pahlevi, e empreendeu uma luta política no exílio. Seu retorno ao Irã em 1979 marcou a derrocada da milenar monarquia persa e o estabelecimento da República Islâmica.

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