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06/06/2007 - 16h56

Novas imagens de Fidel não eliminam dúvidas sobre seu possível retorno

José Luis Paniagua Havana, 6 jun (EFE).- As novas imagens de Fidel Castro na televisão, após dez meses de convalescença, deixaram claro que sua presença nos meios de comunicação será maior a partir de agora, mas não eliminaram as dúvidas sobre o eventual retorno do líder cubano ao exercício de suas funções.

Em sua "primeira conversa" no programa "Mesa-Redonda", Fidel Castro disse que se dedica ao que deve fazer, ou seja, a dar continuidade a seu processo de recuperação. Falou, ainda, de alguns dos temas que abordou em suas "reflexões" dirigidas à imprensa desde o final de março, e anunciou novas entrevistas no mesmo formato, na televisão.

As reações não demoraram a aparecer, e, hoje mesmo, o governante provisório de Cuba, Raúl Castro, afirmou, na inauguração de uma unidade de energia próxima à Havana, que viu seu irmão em um estado "magnífico".

O comentário do chefe de Estado foi acompanhado, hoje, pelas reações da imprensa. Ele ocupa o poder de forma interina desde que Fidel Castro delegou suas funções, no dia 31 de julho do ano passado, devido a uma doença que, segundo ele próprio, já não é segredo.

O jornal "Granma" de hoje trouxe a manchete "Fidel na batalha de sempre", comentando alguns dos pontos abordados pelo dirigente. A matéria trata da repercussão internacional da "conversa" de cerca de 50 minutos de Fidel com jornalistas, transmitida pela televisão cubana.

Por sua vez, o "Juventud Rebelde" escreveu, em destaque, "Fidel em corpo e alma", e afirmou que o líder cubano "está ganhando outra briga".

Na rua, alguns cubanos, como Juan, um pedreiro de 59 anos, disseram à agência Efe que Fidel Castro "está muito bem, está inteiro".

Outros, como Yurisleidis, confessaram que não tinham visto a entrevista porque não acrescentaria nada de novo.

Analistas afirmaram, hoje, que a aparição pública de Fidel Castro não modifica o panorama existente desde que o líder cubano começou a escrever suas "reflexões". Nestas, ele criticou o uso de biocombustíveis, abordou questões de política internacional, e, em uma ocasião, falou de sua saúde.

No dia 23 de maio, o líder da revolução cubana revelou que tinha sofrido várias operações, e que, durante meses, dependeu de "cateteres" para receber alimentação. Contou ainda que, aos poucos, "foi melhorando", e que fazia o que devia fazer, algo que reiterou, na entrevista de terça-feira.

"Ele deixou isso muito claro, (...) e o retorno não vai ocorrer, pelo menos, a curto prazo", explicou um analista consultado pela Efe. Ele reconheceu que as aparições mais freqüentes de Fidel na imprensa podem confundir a população a respeito de seu papel na ilha.

Para outro observador, "o problema agora não é o retorno ou não de Fidel", mas "se o país vai fazer dessas reaparições o centro das conversas".

Ele afirmou que "ligar a mensagem do país a essas reflexões (de Fidel), e (o fato de) ninguém falar dos programas reais necessários ao país, das necessidades do povo, não é bom".

Por parte da dissidência, Manuel Cuesta Morúa, líder da coalizão Arco Progressista, disse que o chefe da revolução apareceu com "melhor semblante, melhor ânimo e mais ânsia de retornar ao poder".

"É uma mensagem de volta (...), volta, porque ele é contrário a que, pelo menos enquanto ele viver, (Cuba) caminhe em direção a reformas", explicou Cuesta. Ele afirmou, também, que o papel de Fidel Castro será o de "delinear as linhas mestras" da política cubana.

Para Elizardo Sánchez, da Comissão de Direitos Humanos, não-reconhecida pelo Governo, na terça-feira, aconteceu "uma renovação do símbolo do imobilismo político", e foram descartadas possíveis mudanças em Cuba.

"É o tipo de retorno que ele pode fazer, agora e depois", acrescentou.

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