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11/06/2007 - 15h04

Sérvia reitera rejeição à independência do Kosovo, e ignora proposta de Bush

Belgrado, 11 jun (EFE).- A Sérvia reiterou hoje sua rejeição à independência do Kosovo, como proposto pelas Nações Unidas, e ignorou a proposta dos Estados Unidos de abrir mão da província em troca da integração à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à União Européia (UE).

"É um direito dos EUA apoiarem, em conformidade com seus interesses, alguns Estados e povos, mas não para presenteá-los com algo que não é de sua propriedade", disse o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, em declarações à imprensa, em Belgrado.

"Os EUA devem encontrar outra forma de mostrar sua inclinação e seu afeto pelos albaneses, em vez de presenteá-los com territórios sérvios", disse, reagindo ao apoio de Bush à independência do Kosovo.

As declarações americanas foram feitas durante a visita do presidente dos EUA à Europa, concluída hoje, na Bulgária.

O ministro sérvio para o Kosovo, Slobodan Samardzic, afirmou, ainda, que "se a América está tão interessada em fazer com que os albaneses vivam em um território independente, devem concedê-lo dentro de seu próprio território".

No domingo, Bush disse, na capital albanesa, Tirana, que os EUA estão tentando superar as divergências com a Rússia, que se opõe à independência do Kosovo, para chegar a uma postura comum no âmbito da ONU.

No entanto, ressaltou que, se essa solução não for encontrada, será preciso agir em favor da independência do Kosovo.

Hoje, em Sófia, na Bulgária, o presidente americano ofereceu benefícios à Sérvia, caso esta aceite a independência de sua província. A separação é reivindicada pelos albaneses, que constituem 90% da população do Kosovo, no sul do país.

Bush disse que, ao mesmo tempo em que se busca a independência do Kosovo, é preciso deixar claro à Sérvia que há um caminho para seguir em frente, "talvez, dentro da Otan, talvez, dentro da UE".

"Definitivamente, há possibilidades de melhoras nas relações com os Estados Unidos", afirmou.

As autoridades sérvias ignoraram a oferta, reafirmando sua política de não acatar propostas que condicionem sua postura em relação ao Kosovo à participação em instituições multilaterais.

Kostunica reiterou que a independência do Kosovo seria contrária à Carta da ONU, por violar a integridade territorial de um Estado soberano, e pediu aos EUA que "não recorram à violência legal", apoiando a independência unilateral do Kosovo.

Insistiu, também, que os EUA "cometeram um grande erro" ao bombardear a Sérvia em 1999, devido à crise do Kosovo, e assegurou que "um novo erro, na forma de reconhecimento unilateral da independência, representaria uma injustiça e uma violência que o povo sérvio não esqueceria".

Em junho de 1999, após 78 dias de bombardeios da Otan, a Sérvia, então sob a liderança de Slobodan Milosevic, viu-se obrigada a se retirar do Kosovo. A província foi, então, transformada em um protetorado internacional, até que seu estatuto final fosse fixado.

Caso o processo seja adiado, Belgrado teme que Pristina proclame, unilateralmente, sua independência, e que os EUA acabem reconhecendo-a.

O estatuto definitivo do Kosovo deve ser decidido por meio uma resolução do Conselho de Segurança da ONU (CS), após um debate sobre o plano do mediador da questão, o ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari. A proposta consiste em dotar a província de uma "independência sob supervisão internacional".

Os EUA e a UE apóiam o plano, mas a Rússia o rejeita, e adverte que pode usar seu direito a veto no CS, caso a solução seja imposta contra a vontade da Sérvia.

Moscou apóia Belgrado em seu pedido por novas negociações com os albano-kosovares, que ocorreriam até que um compromisso a respeito do futuro estatuto legal do Kosovo fosse definitivamente estabelecido.

Na semana passada, na Cúpula do Grupo dos Sete países mais Industrializados do Mundo e a Rússia (G8), na Alemanha, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, apresentou uma proposta sobre o tema, que foi rejeitada.

A iniciativa se baseava no adiamento de seis meses da decisão sobre o Kosovo, para dar uma nova oportunidade a sérvios e albaneses de chegar a um acordo.

Alguns analistas sérvios consideram que a proposta demonstra que há interesse na superação das divergências no CS, além de abrir espaço para uma posição comum das partes sobre o Kosovo.

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